Aula de direção noturna vale em maio

Federação das autoescolas diz que a nova obrigatoriedade poderá aumentar o preço para tirar a CNH, dependendo da carga horária

Felipe Grandin, O Estadao de S.Paulo

19 Março 2010 | 00h00

A partir de maio, não bastará mais dar a volta na quadra e estacionar o carro para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Os candidatos a motorista terão de aprender a dirigir à noite. Lei publicada ontem no Diário Oficial da União obriga as autoescolas a dar aulas noturnas de direção. A nova regra entra em vigor em 60 dias e, segundo a Federação Nacional das Autoescolas (Feneauto), o custo da carteira poderá aumentar.

O número de aulas noturnas ainda será definido pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Atualmente, os aprendizes de motorista têm de comprovar pelo menos 20 horas-aula de prática, acompanhados por um instrutor autorizado.

A mudança foi proposta pelo deputado federal Celso Russomanno (PP-SP). O parlamentar defende que a experiência pode reduzir o número de acidentes. Segundo ele, especialistas são unânimes em afirmar que os condutores são responsáveis pela maioria dos acidentes. "O ato de conduzir o veículo à noite exige precauções adicionais", diz o deputado. "É preciso que o candidato, no processo de treinamento, se submeta a essa circunstância, para não vir a fazê-lo apenas quando lhe tiver sido concedida a permissão para dirigir."

A medida é apoiada pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet). Segundo a entidade, 40% dos acidentes de trânsito com vítimas ocorrem no período da noite na cidade de São Paulo. "A direção noturna é completamente desconhecida para quem acabou de sair da autoescola", afirma o diretor Dirceu Rodrigues Alves Junior.

"Durante a noite, um farol alto pode deixar o motorista sem enxergar por três segundos, às vezes, quatro", afirma Alves Junior. "Quem acabou de tirar a carteira passa esse tempo perdido, porque ainda não tem sensação de distância. E o carro pode estar a 100 km/h."

A Feneauto diz ser "favorável a qualquer mudança que melhore a formação dos condutores", mas não acredita que a lei vá pegar. "Acho extremamente difícil o cumprimento porque os Detrans não têm como fiscalizar", diz o presidente, Magnelson Carlos de Souza. Segundo ele, isso só seria possível com o controle informatizado das aulas.

Souza observa ainda que a legislação paulista limita o funcionamento dos Centros de Formação de Condutores até as 20 horas, deixando só 1 ou 2 horas para as aulas noturnas. "Teria de mudar essa regra ou comprar mais carros para atender à demanda, o que provocaria um aumento do preço", diz. De acordo com ele, se o Contran aumentar a carga horária para além das 20 horas, o custo já ficará mais alto.

A crítica é reforçada pelo Sindicato das Auto Moto Escolas e Centro de Formação de Condutores no Estado de São Paulo. "Vamos precisar de mais instrutores e carros para atender à legislação. Isso vai onerar o aluno", diz o presidente, José Guedes Pereira. "Os integrantes do setor não foram ouvidos. Daqui a pouco aparece outro legislador dizendo que tem de ter aula com chuva, com vento, na neblina..."

Riscos

DIRCEU R. ALVES

MÉDICO E DIRETOR DA ABRAMET

"A direção noturna é desconhecida para quem acabou de sair da autoescola"

"À noite, um farol alto pode deixar o motorista sem enxergar por três segundos"

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