Auditora diz que fiscal 'honesto' levava mesada

A auditora fiscal Paula Sayuri Nagamati revelou ontem a existência de uma "mesada" para funcionários "honestos" da Secretaria Municipal de Finanças, na gestão Gilberto Kassab (PSD). Eles colaboravam com a quadrilha do Imposto sobre Serviços (ISS) e recebiam dinheiro para trabalhar além de suas cotas normais de serviço. Dessa forma, mantinham a eficiência do departamento onde eram expedidas as guias de quitação do ISS para construtoras.

Bruno Ribeiro, O Estado de S.Paulo

20 Dezembro 2013 | 02h04

Segundo o promotor Roberto Bodini, que lidera as investigações do caso, havia três tipos de servidores no departamento. O primeiro eram os 100% honestos, que chegavam, analisavam os processos que estavam em suas mesas e iam embora. O segundo eram os que também não cobravam propina de ninguém, mas recebiam a mesada para analisar mais processos do que precisariam. O terceiro tipo eram os integrantes da máfia, que cobravam propina para analisar os processos de forma fraudulenta, beneficiando empresas que pagavam menos imposto do que deveriam.

O depoimento de Paula durou cerca de três horas e foi tomado por iniciativa da suspeita. Ela já havia prestado depoimento ao MPE na condição de testemunha, mas sua situação mudou depois de o auditor Luis Alexandre Cardoso de Magalhães denunciar que ela recebia propina. Paula, amiga de Ronilson Bezerra Rodrigues, tido como chefe do esquema, trabalhou cerca de um mês no departamento. Depois, foi chefe de gabinete do secretário Mauro Ricardo.

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