Auditor diz a Ministério Público que pagava R$ 20 mil por mês a Donato

Em depoimento, suspeito de integrar quadrilha que desviava ISS afirmou que deu dinheiro a secretário de Governo de Haddad por 10 meses; revelação é de reportagem do 'Jornal Nacional'

O Estado de S. Paulo

12 Novembro 2013 | 22h20

O auditor fiscal Eduardo Horle Barcellos disse ao Ministério Público nesta terça-feira, 12, que entregou R$ 20 mil por mês a Antonio Donato entre dezembro de 2011 e setembro do ano passado, de acordo com o "Jornal Nacional".

Donato, vereador pelo PT na época da mesada e secretário municipal de Governo da gestão Fernando Haddad (PT) desde o início de 2013, pediu afastamento do cargo na tarde desta terça após ser citado em escutas envolvendo os fiscais acusados de desviar dinheiro do Imposto sobre Serviços (ISS).

O Estado revelou no dia 3 que, além de pedir ajuda para o secretário, um dos acusados conversa com sua companheira sobre supostas doações para a campanha de Donato a vereador em 2008.

Barcellos firmou acordo de colaboração e depôs no Ministério Público por oito horas, segundo seu advogado, Gustavo Badaró. O "Jornal Nacional" revelou que a expectativa do fiscal com o dinheiro entregue a Donato era garantir que os auditores tivessem facilidades para permanecer no cargo mesmo com a mudança da gestão.

O promotor Roberto Bodini afirmou na reportagem que Barcellos disse nunca ter informado a Donato que a mesada era proveniente de propina.

Outro lado. Donato nega as acusações. "Nunca recebi qualquer recurso de nenhum dos envolvidos na investigação iniciada pela Controladoria do município", afirma o ex-secretário em nota. "É mais uma tentativa dessa quadrilha de desviar o foco da investigação, que está centrada na administração passada, especialmente no ex-secretário de Finanças Mauro Ricardo, e tentar atingir nosso governo na Prefeitura de São Paulo."

Mauro Ricardo Machado Costa será chamado para depor ao controlador Mário Spinelli sobre a quadrilha que fraudou o ISS. A gestão Fernando Haddad afirmou nesta terça que ele deve "prestar esclarecimentos no âmbito da Operação Necator sobre seu grau de conhecimento da atuação do grupo e a relação que mantinha com praticamente toda a estrutura de seu gabinete envolvida".

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