EDISON TEMOTEO/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
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Áudios mostram PM em 'alerta' durante ataques em Osasco

Policial avisou aos colegas sobre a gravidade dos ataques; Suposto toque de recolher gravado pelo PCC circulou nesta sexta-feira

ALEXANDRE HISAYASU e FELIPE RESK, O Estado de S. Paulo

14 de agosto de 2015 | 11h28

Atualizada às 17h56 e às 20h20

SÃO PAULO - Áudios da rádio frequência da Polícia Militar obtidos pelo Estado mostram o momento em que a série de ataques em Osasco e Barueri coloca os PMs em "alerta". "Eu conversei com o Mike, aqui do 14, que encostou, ele informou que tem pelo menos 11 mortos na zona norte. Aqui também está sob alerta, percebe?", diz uma policial. Dezoito pessoas morreram em uma série de ataques em Osasco e Barueri, na Grande São Paulo, entre a noite de quinta-feira, 13, e a madrugada de sexta, 14.

Em outra escuta, um policial avisou aos colegas sobre a gravidade dos ataques. "Aí, chapas, QRU (local da ocorrência) aí, aqui em Osasco: 20 baleados aqui, por enquanto, 20 baleados. Parece que, até então, 11 mortos. Maiores detalhes eu passo depois", alertou.

Outra mensagem de voz, trocada entre moradores de Osasco, mostram o medo na região. "Aí, rapaziada. O barato é sério, hein, meu?", diz um morador em conversa com colegas. "Os caras 'pegou' uns oito aqui no final da Diretriz, aqui na Eurico, tão dando uns tiros em uns ali também, lá no Helena", disse.

Segundo o morador, era melhor evitar as ruas. "Um Vectra preto está 'sentando o pau' no pessoal aí na rua. 'Vamo' ficar em casa, hein, pessoal."

Áudios, fotografias e vídeos compartilhados pelos moradores de Osasco e Barueri ajudaram a descrever os ataques em sequência, além da sensação de pânico nas cidades. Por meio de mensagens de voz, as pessoas avisavam sobre mortos e feridos. Um suposto toque de recolher, divulgado pelo Whatsapp, também semeou medo na região.

"Ei, pessoal, desculpa aí. Só dei a notícia e não falei o 'baguio' concreto. É que eu saí no desespero para socorrer o pessoal aqui", diz uma das gravações obtidas pelo Estado. "A informação correta que eu tenho é que a Maria levou um tiro no pé, o João levou um tiro na perna e o José desceu pra pegar um suco e também foi baleado", relatava o morador. "E 'tá' indo, mano. Quem puder ficar em casa, vai segurando aí."

O ataque descrito era na Rua Moacir Sales D'Ávila, em Osasco. Lá, uma pessoa morreu e outras três ficaram feridas por volta das 21h30. Como são sobreviventes, os nomes no áudio foram trocados na reportagem.

Diversas imagens mostravam os ferimentos das vítimas, as calçadas com sangue e locais vigiados por policiais militares. As fotos começaram a circular na região ainda à noite.

Em um vídeo gravado por câmeras de segurança, três criminosos encapuzados entram em um bar de Barueri. Armados, eles dominam as vítimas e as enfileiram. Depois atiram contra duas pessoas.

TOQUE DE RECOLHER

Em uma outra gravação, um homem, que se diz integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), avisa que haveria toque de recolher em Osasco. A informação circulou por WhatsApp entre moradores de Munhoz Júnior, onde fica o bar em que houve a maior quantidade de vítimas: oito mortos e dois feridos.

"Levaram uns parceiro nosso da quebrada (...) Os 'cara' quer guerra? Vai ter guerra então. A partir das 11 horas da noite de hoje (ontem), não quero ver zé povinho na rua, não, que o bagulho vai ser louco. O bagulho é o Primeiro Comando da Capital", diz o áudio.

Não seria a única mensagem. "Hoje (ontem), a partir das 22h, a gente vai separar uma galera de Itapevi até Osasco. A ordem é: passou das dez da noite, pregar bala na rapaziada que está na rua, que fica de quebrada", diz outro áudio.

O secretário da Segurança Pública, Alexandre de Moraes, negou a autenticidade dos áudios. "A população pode ficar absolutamente tranquila", disse.

MORTE DE POLICIAS

Nas últimas duas semanas, ao menos dois policiais militares e um guarda municipal sofreram ataques em Osasco e Barueri. Na manhã de 5 de agosto, um policial foi morto com 14 disparos enquanto chegava em uma farmácia onde trabalhava como segurança. 

Dois dias depois, um cabo da policia militar à paisana foi assassinado em um posto de gasolina na Avenida dos Autonomistas após ser abordado por dois homens armados. Nesta quarta-feira, 12, um integrante da Guarda Civil Municipal de Barueri morreu durante um assalto a uma adega no bairro Jardim Paulista, do qual ele era dono.

A polícia suspeita que os ataques tenham relação com a morte desses agentes.

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