Atropelador tomou 'só uma latinha de cerveja'

Bafômetro registrou 0,65 mg de álcool por litro de ar; autuado em flagrante, Rocha pagou fiança foi libertado

José Maria Tomazela, Agência Estado

30 de junho de 2008 | 17h15

O empresário Mauro César Mendes Rocha, de 32 anos, que invadiu um posto ao volante de uma caminhonete, atropelou três pessoas e matou uma delas, sábado, em Sorocaba, disse nesta segunda-feira, 30, que não estava embriagado. "Passei o dia todo trabalhando e, quando ia para casa, tomei só uma latinha de cerveja." O teste do bafômetro, feito após o acidente, registrou uma taxa de 0,65 miligramas de álcool por litro de ar. Autuado em flagrante, Rocha pagou fiança de R$ 1,2 mil e foi libertado.  Pela Lei Federal 11.705, em vigor desde o último dia 20, o motorista flagrado com 0,3 miligramas de álcool ou mais por litro de ar expelido no bafômetro responde a processo crime por dirigir embriagado. Rocha alegou que tinha passado o dia todo sem comer e, por estar como estômago vazio, o álcool da cerveja apareceu no teste. "Não tive tempo nem de almoçar." O exame clínico, feito no Instituto Médico Legal (IML), ainda não foi encaminhado à Polícia Civil.  O empresário, que é dono de uma marcenaria no bairro do Éden, onde ocorreu o acidente, sustenta a versão de que teria sido fechado por outro veículo, um automóvel vermelho. "Ele cortou a minha frente e, quando manobrei para evitar a batida, perdi o controle." A caminhonete F-250 invadiu o posto de abastecimento, bateu em dois carros e atropelou um grupo de pessoas que estava no local.  José Clóvis Tomaz, de 43 anos, e José Eduardo Rodrigues de Melo, de 43, ficaram feridos. O vendedor Marcelo Eduardo da Silva, de 37 anos, foi arrastado pelo veículo e prensado contra uma parede. Levado ao Hospital Regional de Sorocaba, morreu no dia seguinte. Seu corpo foi sepultado ontem à tarde no Cemitério da Consolação. O vendedor era casado e pai de um garoto. Familiares e amigos estavam revoltados no velório e no sepultamento.  O amigo Paulo Sérgio de Souza, que estava com a vítima na hora do acidente, lamentou que o motorista tivesse sido libertado. "Pela lei do álcool zero ele deveria estar preso." Ele disse que a caminhonete estava em alta velocidade. "Ela veio com tudo e tive sorte de não me pegar também." O motorista foi multado em R$ 955 e teve a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) apreendida - o documento foi entregue na Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran).  O delegado Romeu Lara Júnior, do 6º Distrito Policial, disse que o acusado não ficou preso porque, quando foi apresentado, tratava-se de um caso de lesão corporal. Em casos assim, é fixada a fiança. Com a morte da vítima, o inquérito vai apurar se o crime é de homicídio culposo ou com dolo (em que o acusado assume o risco de matar). De acordo com o delegado, o tipo do crime será definido depois que o laudo do IML for entregue e após serem ouvidas as testemunhas.  Ele pretende ouvir as pessoas que estavam no posto, as vítimas que sobreviveram e duas pessoas que estavam na caminhonete com o empresário. Segundo o delegado, não há fato que justifique, agora, um pedido de prisão do acusado.

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