Atraso de visto dos EUA acaba na polícia

Policiais foram convocados para conter tumulto no posto do Consulado em SP

NATALY COSTA, VALÉRIA FRANÇA, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h08

Conseguir um visto americano em São Paulo virou caso de polícia. Às vésperas das viagens de fim de ano e de férias, turistas fazem fila na porta do Centro de Atendimento ao Solicitante de Visto (Casv) do Alto de Pinheiros, na zona oeste, em busca de seus passaportes - que ninguém sabe onde estão nem quando voltarão às mãos dos donos. Ontem, a PM esteve no Casv para conter a confusão, pela terceira vez, pelo menos, em dois meses.

O procedimento padrão do Consulado Americano é reter o passaporte e devolvê-lo com o visto no endereço do solicitante. Em alguns casos, é possível optar por retirá-lo pessoalmente - mas nem isso é garantia de receber o documento. Sem informação, pessoas estão perdendo viagens de lazer e trabalho.

A fila do Casv do Alto de Pinheiros - onde estariam guardados os passaportes não enviados - tem confusão diariamente. No começo da tarde de ontem, a polícia foi chamada para conter um homem em fúria. No fim da tarde, um outro tentou invadir o local e cortou o braço.

A onda de atrasos começou em 25 de outubro, quando uma liminar judicial proibiu a DHL - empresa contratada pelo Consulado - de entregar os documentos porque o serviço seria monopólio dos Correios. Com milhares de passaportes retidos, o envio começou a dar problema.

No dia 21 de novembro, o Tribunal Regional Federal da 3.ª Região suspendeu a liminar alegando "evidente prejuízo para a população brasileira". O envio voltou a ser feito pela DHL, mas em ritmo lento. A empresa diz apenas que "retomou recentemente o trabalho de entrega de vistos e passaportes".

Ao Estado, o Consulado informou que o imbróglio judicial entre Correios, DHL e Embaixada Americana ainda não foi resolvido e acarretou um "acúmulo de passaportes impedidos pela Justiça de ser entregues". Funcionários do Casv chegaram a falar que há quase 20 mil passaportes esperando para ser entregues. O Consulado admite que a normalização "ainda vai levar um tempo", mas garante que todos serão entregues. Procurada, a DHL limitou-se a dizer que "retomou recentemente o trabalho de entrega".

Sob o sol. As pessoas que se acumulavam ontem na porta do Casv não reclamavam apenas das horas de espera sob o sol. Elas se queixavam também da total falta de informação e previsão de quando terão de volta o passaporte, com ou sem visto.

O carioca Sergio Fróes, de 48 anos, piloto de companhia aérea, está há dois meses sem poder voar. Ele entregou seu passaporte no consulado em 26 de setembro e até agora conseguiu apenas respostas automáticas pelo site para aguardar que entrem em contato.

"Liguei várias vezes, mas eles não dão informações. Então resolvi vir pessoalmente", conta Fróes, que pegou uma senha às 7h15 para um horário no começo da tarde. Às 16h40, ele ainda estava lá, esperando.

A situação de Danielle Aguiar, de 34 anos, não é melhor. No dia 24 de outubro, ela deu entrada no pedido de visto. Desde então, perdeu três viagens importantes de negócios. "Trabalho com relações internacionais, por isso tenho de sair tanto do País", explica Danielle, que pela quarta vez foi pessoalmente ao Casv. "Sempre que venho, perco o dia de trabalho."

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