Atraso de linha frustra novos vizinhos

Eles se mudaram para bairros como Campo Belo contando com novas estações a partir de 2010

Márcio Pinho, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2011 | 00h00

O consultor em marketing Gustavo Reis, de 31 anos, comprou em 2009 um apartamento em construção em Moema esperando mudar em alguns anos e ter à disposição a Linha 5-Lilás do Metrô, projetada para a região. Dois anos depois, ele já mora no prédio recém erguido e projeta uns "bons anos de trânsito pela frente", porque o Metrô não acompanhou sua mudança.

Ele é apenas um dos moradores atraídos nos últimos anos pelo boom imobiliário nos bairros por onde passará a Linha 5-Lilás e se diz frustrado com os seguidos atrasos e mudanças de prazo. A expansão da linha, entre o Largo Treze e a Chácara Klabin, vai atrasar pelo menos três anos. Em vez de 2012, como já havia sido previsto, a entrega também já foi anunciada para 2013 e 2014. Agora, está programada para 2015.

Um dos entraves foi a paralisação da licitação, desde outubro, por suspeita de conluio entre as empresas participantes. O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou anteontem a retomada do processo.

A linha foi usada amplamente pelas construtoras e imobiliárias para chamar compradores para seus lançamentos em Santo Amaro, Brooklin, Moema e Campo Belo. Neste último bairro, 53 condomínios foram lançados desde 2001. Estações como Adolfo Pinheiro e Brooklin-Campo Belo já deveriam estar funcionando. A primeira agora deve sair em 2013 e a segunda, em 2015.

A primeira fase da linha, do Capão Redondo ao Largo Treze, foi entregue em 2002. O novo trecho, até a Chácara Klabin, vai ligar o ramal às Linhas 1-Azul e 2-Verde.

Era essa interligação que Reis esperava. Ele morava no ABC e trabalha ao lado da Estação Vergueiro, na Linha 1-Azul. "Levava 50 minutos e hoje pouco mudou. A Avenida Ibirapuera é péssima", diz ele, que rejeitou outros bairros por causa do metrô. "Ainda vou ter de tirar o carro da garagem por bastante tempo."

A frustração é a mesma do empresário César Augusto Moysés, de 41 anos, que comprou um apartamento em um prédio novo no Brooklin, a três quadras de onde será a Estação Água Espraiada. "Gostaria pelo menos de ir um dia ou outro para meu trabalho no Paraíso sem pegar trânsito. Esse atraso é frustrante." Mas ele está animado com a retomada da licitação. "Agora vai sair."

Para Valéria Corrêa, diretora da Plazza Brasil Imóveis, o metrô valorizou os imóveis no entorno. "São moradores que têm filhos que estudam, prestadores de serviço que moram longe." Em Moema, há condomínio com oito vagas na garagem.

O apartamento de três dormitórios no Campo Belo subiu 358% nos últimos dez anos, segundo a Empresa Brasileira de Estudos do Patrimônio (Embraesp) - quase o dobro de pontos porcentuais da média da cidade, de 187%. O preço médio desse tipo de imóvel entre 2009 e 2011 foi de R$ 706 mil.

Audiências. O Metrô afirma que a extensão da Linha 5-Lilás começou em 2010, porque só então o governo do Estado e o Metrô conseguiram recursos. Tiveram de ser superados impedimentos de ordem burocrática, como licenças ambientais, audiências públicas e processo de concorrência - segundo o Metrô, "etapas que demandam tempo."

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