Atos por moradia terminam em confrontos em SP

PM foi acionada para liberar Avenida Assis Ribeiro e linha da CPTM, no Jardim Pantanal. Moradores de ocupação irregular protestavam contra reintegração de posse marcada para o dia 12. No centro, sem-teto chegaram a quebrar vidraças da Prefeitura

Bruno Ribeiro, Laura Maia e Pedro Sibahi, Especial para o Estado, O Estado de S.Paulo

18 de outubro de 2013 | 02h02

Duas manifestações por moradia tiveram desfecho violento nessa quinta-feira, 17, em São Paulo. Pela manhã, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) tentaram invadir a Prefeitura, no centro, mas foram contidos pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). À noite, moradores de uma ocupação irregular na Favela União de Vila Nova entraram em confronto com a Polícia Militar no Jardim Pantanal, zona leste.

De acordo com a PM, cerca de 300 manifestantes fizeram barricadas com fogo na Avenida Assis Ribeiro e nos trilhos da Linha 12-Safira da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Três galpões com escritórios da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) foram incendiados. Após a intervenção da Tropa de Choque, o conflito foi encerrado às 23h.

A confusão começou às 16h30, quando o grupo interditou a via e ateou fogo em sacos de lixo e pneus. O viaduto sobre a linha da CPTM virou campo de guerra. Os sem-teto ocuparam os trilhos e interromperam a circulação de trens entre o Brás e o Jardim Helena. Passageiros de sete estações foram afetados. A circulação foi retomada às 19h45 e voltou a ser interrompida às 21h.

A causa do protesto foi uma reintegração de posse marcada para o dia 12 de novembro. "O terreno que invadimos estava vazio. Aqui só tem gente trabalhadora. Eu e meu marido gastamos todo o nosso dinheiro para erguer o barraco. Hoje, soubemos que teremos de sair. É muita injustiça", disse a dona de casa Cleide Bezerra, de 31 anos.

Em reação à notificação, os moradores da área invadida da CDHU resolveram protestar. A PM foi chamada. "O objetivo não era fazer prisões, mas era conter o tumulto", disse o capitão Demetrius Correia Nunes. Segundo ele, a Força Tática foi recebida a pedradas e reagiu com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Duas viaturas dos bombeiros combateram os focos de incêndio. Não houve registro de feridos.

O presidente da CDHU, Antonio Carlos do Amaral Filho, foi ao local. "Destruíram nosso escritório, são verdadeiros vândalos. Essa era uma das áreas mais violentas da cidade e fizemos um trabalho excelente", afirmou Amaral Filho, sobre a urbanização da favela. A CDHU pediu reintegração de posse de 15 áreas invadidas nos dias 6 e 7 - os terrenos serão ocupados por praças, ruas e escolas.

Pânico. O confronto assustou a população do Jardim Pantanal e deixou rastro de destruição, com lixeiras arrancadas e restos de pneus incendiados. Trabalhadores tiveram de descer dos ônibus e seguir a pé.

Moradora da região, Diná Neuza Maria dos Santos passou mal com o gás lacrimogêneo. "É horrível. Quando estava chegando em casa, larguei o carro por medo. E vim a pé", disse.

A dona de casa Cleonice Pereira, de 29 anos, teve de tirar os filhos de casa para fugir da confusão. "Vou levar meus filhos para casa dos meus pais por causa das bombas. Só tem gente de bem na comunidade. Jogaram bomba no meu quintal e minha filha tem bronquite. É um absurdo", disse, enquanto corria com os dois filho, de 7 e 11 anos.

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