Ernesto Rodrigues/AE
Ernesto Rodrigues/AE

Ato lembra os 20 anos do massacre do Carandiru

Parentes das vítimas realizam manifestação nas escadarias da Catedral da Sé, no centro de São Paulo, nesta terça-feira

O Estado de S. Paulo,

02 Outubro 2012 | 19h05

Texto atualizado às 22h58.  

SÃO PAULO - Uma série de atos e manifestações marcaram esta terça-feira, 2, data em que o massacre do Carandiru completou 20 anos. Naquela ocasião, 111 pessoas morreram depois da entrada da Polícia Militar no presídio. Parentes das vítimas do massacre do Carandiru realizaram na Sé, no centro de São Paulo, um ato ecumênico.

Juridicamente, a data também marca a prescrição da pena de autoridades que estavam à frente de cargos executivos no período, como o governador da época, Luiz Antonio Fleury Filho, e o então secretário de Segurança, Pedro Franco de Campos. Nenhum dos dois chegou a ser denunciado nos processos.

"Mesmo se surgirem novidades que incriminem os dois no episódio, eles não podem mais ser processados porque o tempo máximo para prescrição é de 20 anos", explica a professora Marta Machado, da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

 

 

As manifestações começaram a ocorrer pela manhã, quando cerca de 60 manifestantes se concentraram na frente da casa do ex-governador Fleury para ler o nome dos mortos, declamar poesias e cantar canções de protestos, em um tipo de movimento conhecido como "esculacho", também feito a acusados de tortura no Regime Militar. A atividade durou cerca de 30 minutos e ocorreu pacificamente.

À tarde, integrantes de movimentos como a Rede 2 de outubro, Pastoral Carcerária, Levante Popular da Juventude e Mães de Maio partiram para a Praça da Sé e se reuniram com cerca de 70 manifestantes em ato ecumênico para relembrar o episódio. Entre os presentes estava o sobrevivente do massacre Davi Oreste, de 67 anos, que atualmente dá aulas de violão em uma igreja de Osasco. Disse ter visto amigos serem assassinados e acredita que sobreviveu por sorte. "Evitei e fiquei sempre no meio dos grupos para não ser atingido."

Do outro lado, os "apoiadores" do massacre se manifestaram sobretudo pela página do Facebook de "admiradores da Rota". Mais de 1 mil pessoas curtiram o texto em que afirmavam que a PM fez um "serviço de utilidade pública" ao matar 111.

Julgamento. A 2ª Vara do Júri marcou para o dia 28 de janeiro de 2013 o julgamento de parte dos réus acusados de participar do massacre. A decisão do juiz José Augusto Nardy Marzagão saiu no dia 27 de setembro deste ano. O julgamento deve ocorrer no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste. Irá a júri somente a tropa comanda pelo capitão Ronaldo Ribeiro dos Santos, que atuou no 2º pavimento, comandando 26 homens. Eles são acusados de matar 15 pessoas.

Condenado. Até o momento, apenas o coronel Ubiratan Guimarães foi condenado pelo crime. Em 2001, ele foi julgado e condenado a 632 anos de prisão por comandar a ação no Carandiru. Apesar disso, em fevereiro de 2006 o Tribunal de Justiça de São Paulo reinterpretou a decisão do 2.º Tribunal do Júri e decidiu absolver o coronel.

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