Jorge Bechara/AE
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Ato em memória de brasileiro morto na Austrália reúne 250

Familiares e amigos caminharam pela orla de Sydney; irmãs mantiveram silêncio

JORGE BECHARA, ESPECIAL PARA O ESTADO, SYDNEY, O Estado de S.Paulo

26 Março 2012 | 03h03

Uma passeata com cerca de 250 pessoas foi realizada ontem na Praia de Bondi, em Sydney, em homenagem ao brasileiro Roberto Laudisio Curti, de 21 anos, morto pela polícia do Estado de Nova Gales do Sul, no dia 18. Ele morreu após receber disparos de Taser - uma arma de eletrochoque - e ser acusado de roubar um pacote de biscoitos em uma loja de conveniência. Ao contrário do que ocorre em eventos públicos na Austrália, ontem não houve presença de policiais uniformizados no local.

As duas irmãs de Roberto, Anna Luisa e Maria Fernanda, e o cunhado australiano apareceram pela primeira vez em público e foram "protegidos" por amigos para que a imprensa não se aproximasse. Cerca de 40 jornalistas, fotógrafos e equipes de televisão do Brasil e da Austrália registraram o evento. Os familiares já haviam informado, pela internet, que não falariam.

O grupo se reuniu no extremo norte da praia e, por volta das 17h30 (horário de Sydney), iniciou a caminhada. A maioria usava roupas brancas e portava cartazes com fotografias de Roberto e uma faixa com mensagem inspirada na Canção da América, de Milton Nascimento. "Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar, Betinho", dizia.

Um comunicado feito pelos organizadores do ato na rede social Facebook explicou que o evento era "um tributo em homenagem à pessoa maravilhosa que conhecemos" e que "o objetivo não é protestar, mas relembrar e celebrar o verdadeiro Betinho, com uma caminhada pacífica em um dos lugares que ele mais gostava de Sydney".

O grupo percorreu cerca de um quilômetro até chegar ao mirante do Hunter Park, entre Bondi e Tamarama. Durante o pôr do sol, cantaram, rezaram e leram homenagens em português e em inglês a Roberto. No fim do tributo, houve um minuto de silêncio e flores brancas foram lançadas ao mar.

Investigação. A polícia não tem prazo para concluir as investigações. A necropsia de Roberto já foi realizada, mas a organização de todos os documentos para a liberação do corpo pode demorar meses para ser finalizada.

O trabalho de análise do médico-legista só começará após a polícia encaminhar todo o material. Nesse período, que pode chegar a um ano, polícia e autoridades legistas decidem quais informações podem se tornar públicas. O método de investigação da polícia australiana, que apura as suas próprias condutas, é criticado. No caso do estudante brasileiro, a polícia investiga, dita o ritmo dos trabalhos e informa o que julga necessário.

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