Ato contra 'pedágio' barra acesso a praia em Ilhabela pelo 3º dia

Ato contra 'pedágio' barra acesso a praia em Ilhabela pelo 3º dia

Jipeiros e moradores da Praia de Castelhanos se opõem à cobrança de R$ 12 para quem passa por parque estadual para ir à praia

Reginaldo Pupo, Especial para O Estado

21 Novembro 2014 | 16h46

ILHABELA - Jipeiros e moradores da Praia de Castelhanos, um dos principais pontos turísticos de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, mantêm bloqueada pelo terceiro dia consecutivo a estrada-parque que dá acesso à praia. Eles são contrários à cobrança de uma taxa de R$ 12 por pessoa para acesso à praia, em vigor no início desta semana. Além da estrada, eles percorreram nos últimos três dias diversos pontos turísticos do arquipélago para colher adesões a um abaixo-assinado que será endereçado pela associação de moradores "Amor a Castelhanos" ao Ministério Público Estadual.

Além disso, os manifestantes criticam a "privatização" da estrada-parque, pois segundo eles, dos R$ 12 cobrados, R$ 8,50 vão para uma empresa privada que cuida da segurança no local. "Somos contra a privatização da praia", disse um manifestante, que preferiu não se identificar. "Essa cobrança não traz nenhuma benfeitoria para a estrada, nem para a comunidade. Fizemos um projeto prevendo vários itens de infraestrutura, mas decidiram cobrar sem nos consultar, às vésperas do feriado prolongado", frisou o jipeiro Marcelo Batista de Oliveira.

Parte dos turistas que tentaram chegar à praia pela estrada-parque, que tem 22 quilômetros de extensão, compreendeu o movimento. "Acho justo o protesto, pois é um absurdo cobrarem para a gente entrar na praia. Se a moda pega, ficaremos impedidos de frequentar muitas praias no Brasil", opinou a secretária Bianca Amarantes, de 19 anos, que foi para Ilhabela passar o final de semana prolongado justamente para conhecer a Praia de Castelhanos. "Meu passeio foi cancelado pela agência de turismo. Estávamos ansiosos para conhecer a praia, mas não será desta vez", lamentou o personal training Ricardo Fortes, de 25 anos, de São Paulo.

Municipalização. O prefeito Antonio Luiz Colucci (PPS) recebeu uma comitiva em seu gabinete e agendou para a próxima segunda-feira, 24, uma audiência na Secretaria Estadual do Meio Ambiente, pasta responsável pela Fundação Florestal, órgão que administra o Parque. Na reunião, o prefeito tentará reverter a cobrança. "A secretaria não abriu mão da cobrança nesse feriado prolongado. Na audiência vamos reforçar nossa intenção de municipalizar a estrada-parque, pois se o Estado não consegue mantê-la, o município tem mais condições para isso".

Colucci diz achar a cobrança para trafegar pela estrada-parque injusta, pois inibe quem pretende chegar à praia, que não está inserida dentro do Parque Estadual de Ilhabela. "A cobrança é para usar a estrada, que está dentro do Parque. Mas a praia não está no Parque, então considero que a medida é ilegal, já que fere o direito de ir e vir do cidadão", ressaltou. Entidades de classe de Ilhabela protocolaram uma ação na Justiça, com mandado de segurança, para tentar barrar a cobrança, mas o pedido foi negado.

De acordo com a Fundação Florestal, a cobrança está prevista dentro no plano de implantação da estrada (Resolução Conjunta SMA/ST nº 004/2010), que determina que o órgão é responsável por operar e controlar o uso da estrada. O órgão informou em nota que os recursos arrecadados com as taxas "contribuirão com o custeio da operação da Estrada-Parque Castelhanos". 

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