Ato contra nova condenação de preso em protestos de 2013 bloqueia a Paulista

Rafael Braga Vieira estava em regime aberto e foi detido novamente por tráfico de drogas e condenado a mais de 11 anos de reclusão

Ludimila Honorato, O Estado de S. Paulo

24 Abril 2017 | 20h59

Um protesto contra a condenação do catador de material reciclável Rafael Braga Vieira, acusado de tráfico de drogas e associação ao tráfico, bloqueava a Avenida Paulista, no sentido Paraíso, na noite desta segunda-feira, 24, até às 21h. Vieira tinha sido preso em 2013 no Rio de Janeiro durante a onda de manifestações em junho daquele ano.

O ato, que pede a liberdade de Vieira, foi convocado por movimentos sociais como o Mães de Maio e teve concentração às 18 horas no Masp. Em dezembro de 2013, a Justiça do Rio condenou o catador a cinco anos de prisão em regime fechado por portar artefato explosivo durante o protesto. De acordo com a denúncia do Ministério Público, ele estaria levando dois frascos de coquetel molotov.

Vieira, por sua vez, negou a posse dos objetos e diz que um dos frascos continha desinfetante e o outro, água sanitária. Afirmou também que não participava das manifestações. Foi o primeiro e único caso de condenação criminal pelos protestos de 2013.

O acusado estava em regime aberto, com uso de tornozeleira, quando foi novamente preso em janeiro de 2016 por crimes de tráfico de drogas e associação ao tráfico. Em sentença divulgada no portal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, na última quinta-feira, 20, o juiz Ricardo Coronha Pinheiro, condenou Vieira a 11 anos e 3 meses de reclusão e pagamento de R$ 1687.

Segundo a decisão, ele portava 0,6 g de maconha e 9,3 g de cocaína na comunidade Vila Cruzeiro quando foi abordado pelos agentes. O acusado negou ter envolvimento com o tráfico. 

O vereador de Campinas Pedro Tourinho (PT), protocolou nesta segunda uma moção de repúdio contra a prisão arbitrária de Rafael Vieira. "Repudiamos a seletividade da justiça que pune a pobreza, a juventude, a negritude e as lutas sociais!", diz ele no documento.

A Polícia Militar acompanhou o protesto, mas não divulgou estimativa do número de pessoas no local. A via foi liberada às 21h43, segundo a Compahia de Engenharia de Tráfego.

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