Atletas sofrem com o ar carregado

Mesmo com ótimo preparo físico e 30 km de corrida por dia, entre as 8h e as 11h, o major aposentado da Polícia Militar Nilton Sérgio de Mattos, de 47 anos, não escapa dos efeitos da poluição atmosférica na hora do exercício: coriza, irritação nos olhos e ressecamento da garganta. Maratonista amador há três anos, ele frequenta diariamente o câmpus da Universidade de São Paulo (USP), no Butantã, na zona oeste, e o Parque do Ibirapuera, na zona sul.

Marici Capitelli, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2011 | 00h00

Consultor na área de Educação Física, Mattos diz perceber claramente os efeitos da má qualidade do ar nesses locais. "É nítido: depois de duas horas de corrida, os incômodos começam a aparecer", diz o PM aposentado, enquanto corre sob sol forte e temperatura de 32°C na Cidade Universitária. "Quando chego em casa, ainda passo soro e colírio nos olhos, por causa do ardor."

Na sua opinião, o trânsito intenso é o principal responsável pela atmosfera impura nos dias secos do inverno. "O tráfego na Marginal do Pinheiros e na Avenida Escola Politécnica deixam o ar bem pesado na USP", observa. "No Ibirapuera, apesar das árvores, entra muita fumaça da Avenida República do Líbano."

Depois de cumprir suas cinco horas de exercícios, os efeitos aparecem também na pele. "Quando a gente vai embora e passa uma toalha no rosto, sai completamente escura."

Mattos diz que sempre que pode "foge" para o Horto Florestal, na zona norte, onde o ar é mais limpo. Mas acaba recorrendo à USP e ao Ibirapuera por ficarem mais perto de sua casa.

Bicicleta. Já Nelson Eduardo Rizzo, de 51 anos, que anda de bicicleta na USP três vezes por semana, traça outras estratégias para fugir da poluição e do ar seco. "O jeito é andar de bicicleta mais perto da raia olímpica, onde o ar é mais úmido."

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