Atlas aponta bairros emergentes de São Paulo

Segundo estudo, renda média pode variar entre R$ 236 e R$ 8.147

Eduardo Reina, Juliano Machado e Sérgio Duran,

07 de setembro de 2007 | 01h18

A busca por novos nichos imobiliários alterou a distribuição de renda na cidade de São Paulo na virada deste século. As cinco regiões da capital que mais cresceram, quando se compara a renda dos moradores entre 1991 e 2000, estão entre as que mais receberam grandes empreendimentos. São Jardim da Saúde (zona sul) - com elevação de 104,79% na renda per capita -, Vila Prudente/Ford (zona leste, com 86,06%), Alto da Lapa (zona oeste, com 83,84%), Tatuapé/Vila Gomes Cardim (zona leste, com 82,64%) e Santa Etelvina 1 e 2 (zona leste, com 80,64%). Essa é a única região entre os líderes na periferia. Os dados integram o Atlas do Trabalho e Desenvolvimento da Cidade de São Paulo, que a Secretaria Municipal do Trabalho vai lançar daqui a uma semana e divide a cidade em 454 localidades. Os cinco emergentes não estão, porém, na lista dos cinco mais ricos nos rankings de 1991 ou 2000. Enquanto a renda média mensal de um trabalhador com carteira assinada de Cidade Jardim é de R$ 5.126,14, a renda mensal média de um empregado que reside na União da Vila Nova/Vila Nair (zona leste) é de R$ 383,34. Segundo o urbanista Renato Cymbalista, do Instituto Pólis, a mudança foi ocasionada pela "gentrificação", um processo produzido pelo mercado imobiliário, que expulsa a população mais pobre de um bairro ao lançar empreendimentos de padrão mais elevado. "Mas em Santa Etelvina houve consolidação da periferia, o que não deixa de implicar uma exclusão." Já para Aldaiza Sposati, autora do Mapa da Inclusão/Exclusão Social, de 2001, o crescimento de renda da população se deve à mudança de densidade demográfica desse bairro de ocupação popular da zona leste.  Os números ainda apontam a distância salarial que se mantém entre homens e mulheres. Os homens que moram em Cidade Jardim lideram o ranking dos que têm maior rendimento mensal, com salários médios de R$ 8.147,64, enquanto os de União da Vila Nova têm vencimentos de R$ 348,32. Já as líderes no ranking feminino estão no Jardim Paulista 2 e ganham em média 4.673,94; já as da União da Vila Nova ganham em média R$ 236,76. Empobrecimento O atlas mostra como os moradores da periferia tiveram a renda per capita diminuída. Em Grajaú-Colônia, baixou 42,49%, de R$ 286,72 para R$ 164,88; no Jardim Vera Cruz, caiu 39,69%, de R$ 271,58 para R$ 163,79. Em Marsilac, também na zona sul, baixou 35,19%, de R$ 225,99 para R$ 146,46. Os mesmos indicadores registram que há uma maior taxa de desemprego na periferia, para o total da população, bem como para cada nível social, o que significa dizer que a parcela da população menos instruída e de maior faixa etária permanece no mercado de trabalho como desempregada ou ocupada de modo informal. A Bela Vista é a área com maior taxa de participação da população economicamente ativa (PEA) com 15 anos ou mais - 77,29 pessoas empregadas por mil habitantes. No fim da fila está Parque Anhembi/Carandiru, zona norte, com 67,59 por mil. A razão de a União Vila Nova ser considerada o primo pobre de renda está nos 46,48% dos trabalhadores em ocupações informais. Os funcionários públicos e militares no bairro representam 1,59% da população local, enquanto 27,82% trabalham na indústria de transformação e setor de serviços. No outro extremo da tabela, em Cidade Jardim, são 72,9% os moradores com carteira assinada. Nessa região, 22,03% dos habitantes mantêm ocupação em atividades técnico-científicas. Para Oded Grajew, do Movimento Nossa São Paulo, o atlas deve ser usado como ferramenta para futuras políticas públicas. "Na Colômbia, dados semelhantes, que foram tornados públicos há mais de dez anos, ajudaram na distribuição de renda, diminuíram a violência e melhoraram a qualidade de vida." 

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