Sérgio Castro/Estadão
Sérgio Castro/Estadão

Protesto na Prefeitura pede sanção de lei contra foie gras em SP

Ativistas querem aprovação de projeto que impede comercialização do produto e de peles; decisão de Haddad deve sair nesta quinta

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

24 Junho 2015 | 14h12

SÃO PAULO - Um grupo de defensores dos animais realiza um ato em frente à Prefeitura de São Paulo nesta quarta-feira, 24, para pressionar o prefeito Fernando Haddad (PT) a sancionar o Projeto de Lei n° 537/2013, que tem como objetivo proibir o comércio de peles de animais e foie gras - tipo de patê de fígado de gansos, que são alimentados à força.

Com cartazes e máscaras representando animais, os manifestantes fizeram um ato silencioso na porta da Prefeitura e pediram uma reunião com o prefeito para fazer a entrega de um abaixo-assinado com quase 100 mil assinaturas solicitando a sanção. Esta quarta-feira é o último dia antes do anúncio da decisão de Haddad.

"Essa atividade está sendo abolida em vários países e a gente sabe que o ser humano tem o impulso de ser justo com os animais. Nós não pensamos em destruí-los", afirma o coordenador nacional de grupos da Sociedade Vegetariana Brasileira, Ricardo Laurino.

A atriz e apresentadora Luísa Mell também participou do ato. "O prefeito pode até vetar, mas ele vai ter de nos receber hoje. Nós somos um grupo representativo e a defesa dos animais é uma causa de relevância política e social."

Na manhã desta quarta-feira, o prefeito fazia visita ao Centro de Educação Infantil (CEI) Cachoeira de São Benedito, na Vila São Nicolau, zona leste da capital.

O vereador Laércio Benko (PHS), autor do projeto de lei,  cumprimentou os manifestantes e não demonstrou confiança em relação à sanção da lei. "Estou um pouco pessimista por causa de alguns sinais de que o prefeito deu. Se ele fosse sancionar, já teria me chamado para uma conversa."

Benko diz que a importância do projeto de lei ultrapassa as fronteiras da cidade. "São Paulo é uma referência nacional. O que acontece aqui é replicado para todo o País", afirma. "Muitos chefs me condenaram, mas o boi, por exemplo, sofre no momento do abate. No caso do foie gras, o animal tem uma vida de sofrimento e isso não é necessário."

Ativista do Move Institute, Danielle Simões, de 28 anos, foi ao local para se posicionar pelo fim do uso das peles de animais. "Grande parte da população é contra esse comércio, que é totalmente desnecessário. A indústria já tem produções mais ecológicas do que a produção com peles."

Reunião. Por volta das 11h30, uma comissão foi recebida pelo secretário municipal de Relações Governamentais, Alexandre Padilha. Ele explicou que o projeto ainda está sendo avaliado pela Secretaria Municipal de Negócios Jurídicos. 

"Tem um momento de análise jurídica e isso está sendo feito. A Prefeitura é sensível quanto à questão e também a proibir o sofrimento dos animais", declara Padilha.

O secretário encaminhou o grupo para uma segunda reunião, desta vez na pasta de Negócios Jurídicos. Os ativistas ainda estavam no encontro por volta de 12h45. Eles afirmam que não deixarão a Prefeitura sem falar com Haddad.

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