Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Ativistas denunciam a PM por agressão durante manifestação em SP

Dois manifestantes registraram boletim de ocorrência alegando terem sido alvos de golpes de cacetete, chutes e spray de pimenta

Luciano Bottini Filho, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2013 | 12h43

SÃO PAULO - Dois manifestantes detidos pela Polícia Militar nos protestos de segunda-feira, 21, no centro de São Paulo denunciaram à polícia que foram algemados e agredidos pela tropa com cacetadas, chutes e spray de pimenta. O ato era contra o leilão da reserva de pré-sal de Libra e pela educação.

O professor Jefte Rodrigues, de 28 anos, e outro ativista que pediu para não ter o nome revelado, de 27 anos, foram levados ao 2º DP (Bom Retiro) - os PMs os prenderam por suposto desacato e resistência. Os manifestantes registraram queixa na mesma delegacia por agressão.

Os policiais conduziram os dois porque os manifestantes teriam lançado pedras contra o escudo dos soldados - os suspeitos negam.

Um dos detidos, Rodrigo Alamino (codinome usado nas redes sociais), diz que estava ao lado do professor, que segurava uma faixa quando foi pego. "Fizeram cordão de isolamento, pisaram na nossa cara, jogaram spray de pimenta. E ainda quebraram os meus dois celulares", disse ele, que entregou o aparelho para perícia. As agressões teriam ocorrido enquanto os detidos eram levados dentro do agrupamento de policiais até a viatura.

Imagens mostram Alamino cercado de policiais com cacetes em punho, enquanto ele estava encolhido no chão ao lado de um carro, estacionado na região da Praça da República.

"Ele (vítima) não conseguia dobrar o braço e estava com o dedo bem inchado", diz o advogado Brenno Tartelli, que acompanhou o depoimento dos dois e de mais um terceiro, liberado sob fiança de três salários mínimos por suposto dano ao patrimônio público.

"Os PMs foram quebrando meu celular com o cacetete. Conforme iam batendo, eles disseram que era para eu não ligar para nenhum advogado ativista", disse o manifestante. De acordo com Tartelli, os dois deverão passar por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal.

No mesmo protesto, outros jornalistas reclamaram da violência policial. A data foi marcada pelo estado de atenção adicional da forças de segurança devido ao leilão do pré-sal, no Rio. O fotógrafo Adriano Lima, da Brazil Press, foi atingido na testa com bala de borracha. O fotógrafo Nelson Antoine, da Associated Press, aparece em imagens nas quais a PM avança contra ele.

A Corregedoria da Polícia Militar informou que até o momento não recebeu nenhuma denúncia formal sobre o protesto de segunda-feira.

Mais conteúdo sobre:
pmsagressão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.