Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Ativista solto após laudo pretende ir para a Ucrânia

Rafael Marques Lusvarghi diz que quer se juntar aos rebeldes separatistas; Fábio Hideki Harano se pronunciou apenas por carta

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

09 Agosto 2014 | 03h00

SÃO PAULO - Um dia depois de ter a prisão revogada pela Justiça e ser solto, o professor de inglês Rafael Marques Lusvarghi, de 29 anos, disse já fazer planos de viajar para a Ucrânia e se juntar aos rebeldes separatistas pró-Rússia. Já o técnico laboratorial Fábio Hideki Harano, de 26 anos, se reuniu com advogados, foi orientado a estudar o processo e se comunicou por carta. 

Os dois ativistas ficaram 45 dias presos após serem detidos durante uma manifestação contra a Copa do Mundo, na Avenida Paulista, no dia 23 de junho. Nesta quinta-feira, 7, o juiz Marcelo Matias Pereira, da 10.ª Vara Criminal do Fórum da Barra Funda, entendeu que a falta de comprovação de que a dupla portava explosivos “fragilizou” a necessidade de manter os ativistas presos.

Por ser ex-policial militar, Lusvarghi ficou detido em uma cela no 8.º Distrito Policial (Brás). Após ganhar a liberdade, ele foi direto para a casa de parentes em Jundiaí, no interior de São Paulo. “Fui orientado a não falar sobre o processo. Mas, assim que possível, ou quando o processo terminar, vou tentar uma autorização judicial e viajar para a Ucrânia”, afirmou. 

Nesta sexta, o ativista passou o dia conversando com amigos no Facebook. Ele postou uma foto fazendo pose e mostrando os músculos que ganhou enquanto esteve preso. Ele também compartilhou conteúdos referentes aos conflitos. “Próxima parada Ucrânia. Um ‘atrasinho’ de leve, mas o combate continua”, afirmou. 

O professor de inglês disse que pretende se juntar aos separatistas ucranianos que querem a divisão do leste do país. Assim como os rebeldes, Lusvarghi se diz pró-Moscou. 

Ele afirmou ter sido informado sobre os incidentes na região e sobre os imbróglios diplomáticos que ocorreram após a queda de um avião, supostamente derrubado por um míssil dos separatistas. “Tenho certeza de que os russos não fizeram isso. Eles jamais apoiariam esse tipo de atitude.”

Nos últimos anos, Lusvarghi estudou no exterior. Em março, o professor de inglês voltou para o Brasil. “Era minha terceira manifestação. Eu não conhecia ninguém, sempre fui sozinho”, disse o ativista. 

Carta. Já o técnico laboratorial Fábio Hideki Harano adotou a discrição e se comunicou por meio de uma carta divulgada pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). Ele é um dos diretores da entidade. “Estou aliviadíssimo por finalmente me encontrar em relativa liberdade e o apoio que recebi foi, está sendo e será de enorme importância”, diz, na carta, onde acrescenta ser inocente: “Reitero a certeza amplamente demonstrada sobre a minha inocência e a importância dessa e de tantas outras movimentações sociais”. 

Na próxima quarta-feira, 13, o ativista deve conceder uma entrevista coletiva na Faculdade de Direito da USP, no Largo São Francisco, na região central. O advogado de Harano, Luiz Eduardo Greenhalgh, disse que orientou o sindicalista a não dar entrevistas por enquanto. Os dois se reuniram na manhã desta sexta. “Pedi para ele ler com calma o processo, tomar nota de todas as dúvidas e analisar as imagens que fizeram dele em outros atos”, disse. 

Magno de Carvalho, também diretor do Sintusp, esteve na reunião. “Ele (Harano) está muito forte, firme e consciente de que foi vítima”, disse Carvalho, que também foi orientado a não comentar a prisão. 

Processo. Os ativistas conseguiram a revogação da prisão após um laudo do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar e da Polícia Científica, divulgado pela Folha de S. Paulo, demonstrar que o líquido que ambos portavam não era explosivo. Eles continuam, porém, acusados de associação criminosa, incitação ao crime, desobediência e posse de artefato explosivo. O advogado de Harano e o defensor público de Lusvarghi querem reverter a situação. 

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