Ativista feminista cai do 4º andar e diz que foi vítima de machismo

Estudante de história de 23 anos acusa amigo de tê-la arremessado de janela de prédio na Vila Mariana após discussão sobre gênero sexual na madrugada de sábado; polícia investiga caso

Luciano Bottini Filho, O Estado de São Paulo,

04 Dezembro 2013 | 17h27

SÃO PAULO - Uma estudante ativista feminista de 23 anos caiu do 4º andar de um prédio na Vila Mariana, zona sul de São Paulo, no sábado, 30, e acusa um colega de tê-la arremessado da janela por machismo.  Suzane Eulália de Castro Jardim, aluna de História da Universidade de São Paulo (USP) está internada no Hospital das Clínicas com dez costelas, perna direita  e pélvis quebradas, além da clavícula deslocada.

Até a noite de sábado, Suzane estava inconsciente. Segundo familiares, a estudante, que mora em Diadema, estava com mais três pessoas (dois homens e uma mulher) em um apartamento na Rua Afonso Celso. O grupo foi ao local depois da mãe de um dos colegas pedir que ele se retirasse da residência dele, em Diadema.

O  autônomo Luis  Henrique Nogueira, de 27 anos, de acordo com a vítima, entrou em discussão com Suzane por causa de comentários machistas que ele teria feito contra a mulher que estava com eles, de cerca de 40 anos de idade. "Ele começou a desrespeitar a outra mulher", diz a irmã de Suzane, Suzi Jardim, de 21 anos.

Nogueira teria dito à estudante: "se eu sou tão machista, grita para todo mundo ouvir". Foi então que a jovem se debruçou na janela e, segundo sua versão, o rapaz a pegou com os dois braços pelas pernas e a arremessou janela abaixo. A queda foi amortecida por um telhado no condomínio.  O chamado dos bombeiros foi feito por volta das 7h30, e Suzane teve de ser resgatada de helicóptero para o pronto-socorro.

O pai de Suzane, o comerciante português naturalizado Mário Jardim, de 56 anos, está inconformado com o caso e considera um milagre a filha de ter sobrevivido.  Quando foi à polícia, no 16º DP (Vila Clementino) não sabia que os colegas poderiam estar envolvidos no caso, que foi registrado pelo suposto agressor. Ele diz que os dois rapazes estavam acompanhados de uma advogada.  "Esse rapaz precisa ser responsabilizado. Não foi uma queda acidental, como foi registrado. Foi uma tentativa de homicídio. O delegado precisa  tomar o depoimento da minha filha".

Suzane tem um filho de quatro anos. Ela teve o pulmão perfurado e ainda passará por cirurgia. A família pedirá à polícia para tomar seu depoimento. A reportagem tentou entrar em contato com Nogueira por celular. Ele atendeu ao telefone, mas disse que "não sabia de nada" e desligou.

Segundo a polícia, o suspeito diz que não estava no quarto de onde Suzane caiu quando teria ocorrido o acidente.

Segundo o delegado do 16º DP José Antonio do Nascimento, os dois rapazes envolvidos e a síndica do condomínio já foram ouvidos. A mulher que estava no apartamento ainda não foi localizada. "Dependo do depoimento dela e da vítima para poder tomar alguma conclusão. Por enquanto, não há como dizer qual versão dos fatos é verdadeira". Imagens das câmeras de segurança foram solicitadas. Suzane será ouvida pela polícia assim que for liberada do hospital.

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