Atividades do clã vão de tráfico de drogas a controle de cassinos

Assassinato, extorsão e peculato estão entre outros crimes da família, cujos bens são avaliados em milhões de shekels

Viviane Vaz, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2011 | 03h04

Yoram El Al, um dos principais sócios da Família Abergil, é o israelense mais procurado pela Interpol. O clã é investigado de perto em Israel, onde a polícia calcula que até 2004 a família já detinha 37 empresas, 48 apartamentos e 56 carros, avaliados em milhões de shekels.

"Os Abergil têm muitos negócios de lavagem de dinheiro e já ganharam dinheiro até se aproveitando de lei ecológica em Israel, controlando reciclagem de garrafas", afirma uma fonte policial israelense que pediu para não ser identificada.

A família era liderada por Yakov Abergil até 2002. Com sua morte, passou a ser encabeçada por Itzhak Abergil e os irmãos Meir e Avraham. Suas atividades incluem tráfico de drogas, principalmente ecstasy. Assassinato, extorsão, peculato e controle de cassinos ilegais são outros crimes praticados pela família. Segundo a mesma fonte da polícia israelense, os Abergil conectam o negócio da agiotagem ao do jogo ilegal. "Jogadores perdem nos cassinos ilegais e recebem empréstimos de agiotas da mesma família para pagar as apostas. Acabam como 'escravos' dos Abergil por toda a vida", explica.

Em entrevista à televisão israelense, Meir Abergil desmentiu as acusações de que ele e o irmão são criminosos "importantes". "Quem somos nós? Somos amendoins comparados às máfias que eles têm na América. Quem somos nós? Nada, baratas." Investigações no Brasil contaram com colaboração de agências de inteligência de Israel, Estados Unidos e Reino Unido.

Nos Estados Unidos, o primeiro chefão da máfia israelense preso foi Johnny Attias, organizador do maior roubo de ouro de joalherias de Nova York, avaliado em US$ 4 milhões. Ele foi morto no início dos anos 1990. Nos anos 2000, as famílias Abergil e Rosenstein tomaram conta do bilionário mercado americano de ecstasy. A Justiça conseguiu obter de Israel extradição de três chefões presos naquele país. Zeev Rosenstein foi condenado a 12 anos de prisão em 2006. Os irmãos Itzhak e Meir serão julgados em novembro pela Corte Federal da Califórnia, em Los Angeles, por uma dúzia de crimes.

O caso 2:08-CR-01033 lista entre crimes cometidos pelos Abergil formacão de organização voltada à extorsão, conspiração para importação de drogas, lavagem de dinheiro e intimidação por meios violentos. Outros três comparsas presos com os Abergil também foram extraditados e serão julgados pela Justiça americana - Sasson Barashy, Moshe Malul e Israel Ozifa.

Mas os Abergil formam apenas uma das cinco famílias mafiosas de Israel em operação nos Estados Unidos desde os anos 1980. Em Israel, 16 famílias locais também estariam envolvidas em negócios típicos de máfia, incluindo exploração da prostituição./ COLABOROU DENISE CHRISPIM MARIN

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