'Atiravam para todo lado, de forma indiscriminada'

Mayra Vivian, de 26 anos, integrante do Movimento Passe Livre, esteve nos conflitos com a PM de quinta-feira

O Estado de S.Paulo

15 Junho 2013 | 02h03

"O que vimos foram várias ameaças explícitas e veladas aos manifestantes, desde o início. Foi montada uma praça de guerra na Praça da República. Antes do protesto, concordamos com a polícia que seria um protesto pacífico. Durante boa parte do trajeto, tinha apenas música, apito, bexigas.. Muitos levaram flores para declarar que aquele protesto teria mesmo outro clima.

Quando chegamos à Praça Roosevelt, avaliamos que a manifestação estava muito grande, não caberia ali, então negociamos a possibilidade de continuar o trajeto em direção ao Ibirapuera. Estava um ambiente pacífico e durante essa negociação ficamos parados. A Força Tática ficou a postos e fizemos um cordão de manifestantes para evitar qualquer atrito.

Mas o que aconteceu a partir dali foi uma barbárie. O protesto daquela vez não tinha tantos jovens, até mesmo idosos participavam, então não esperávamos uma reação daquelas. Com as primeiras bombas de gás e tiros de borracha, começamos a gritar palavras de ordem contra a violência, mas era uma quantidade de bombas que eu nunca tinha presenciado. Atiravam para todos os lados, de forma indiscriminada, até mesmo contra moradores, pessoas que passavam, estudantes voltando para casa, repórteres... A partir dali, a manifestação se separou e a resistência foi mais forte, mas conseguimos manter a calma.

Vi que atiravam na altura da cabeça. Uma cena que me marcou foi a de um jovem que carregava um cartaz de cartolina e ficou preso no meio do fogo cruzado. Ele se ajoelhou e levantou as mãos, em um sinal claro de que não queria estar naquela situação, mas mesmo assim a polícia atirou com balas de borracha nele."

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