Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Atiradores de Suzano tinham 17 e 25 anos; entenda como foi

Jovens entraram encapuzados na escola estadual e atiraram contra alunos e funcionários

Marcelo Godoy e Marco Antônio Carvalho, O Estado de S.Paulo

13 de março de 2019 | 13h43
Atualizado 13 de março de 2019 | 16h40

A polícia confirmou a identidade dos dois atiradores que abriram fogo nesta quarta-feira, 13, em uma escola estadual em Suzano, matando 8 pessoas. Um deles é Luiz Henrique de Castro, que faria 26 anos neste sábado, 16, e o outro é G.T.M., de 17 anos. Depois dos disparos, os dois se mataram. Ambos eram ex-alunos da instituição de ensino. 

Os dois jovens atiradores que invadiram a Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, tinham sido alunos da instituição e isso pode ter facilitado a entrada deles no local pelo portão da frente, que estava aberto. Eles entraram na escola na hora do intervalo. De acordo com informações da Secretaria da Segurança, um dos criminosos, o adolescente de 17 anos, estudou na escola até o ano passado e foi recebido pela coordenadora Marilena Ferreira Vieira Camargo. Segundo a polícia, ela teria sido a primeira vítima da dupla.

A princípio, eles não usavam máscaras, mas depois do primeiro ataque cobriram os rostos, um deles com máscara de caveira, e passaram a realizar os outros disparos que vitimaram mais cinco alunos e uma funcionária. A Polícia Civil realiza nesta tarde uma reprodução simulada do ataque para delinear a ordem dos fatos.

Tudo teve início antes de os criminosos chegarem à escola. Eles, segundo a polícia, assaltaram uma locadora e fugiram com um carro modelo Onyx de cor branca. No local, foi alvejado e morreu o proprietário, Jorge Antônio Morais. Funcionários acionaram a polícia, que passou a buscar o veículo até chegar à escola. Mas o ataque já estava em andamento.

Segundo a secretaria, um sargento e dois cabos da Força Tática, uma espécie de tropa de choque do batalhão local, entraram na escola quando a dupla tentava invadir uma sala de aula que estava trancada com dezenas de alunos em seu interior. Os policiais estavam com escudos e os jovens se afastaram. Depois, o sargento relatou ter ouvido dois disparos e ter encontrado os corpos no interior da escola. A polícia não sabe se um criminoso atirou no outro e depois se matou, ou cada um cometeu suicídio.

“Hoje é um dos dias mais tristes da minha vida. O fato entristece Suzano, os paulistas e os brasileiros”, disse o general João Camilo Pires de Campos, secretário da segurança de São Paulo. Campos disse ter “depreendido que o acesso à escola ocorreu porque a coordenadora (Marilena) o reconheceu”. “Ela foi a primeira vítima”, disse o secretário.

O comandante da Polícia Militar, coronel Marcelo Salles, lembrou que esse foi o quinto caso na história recente do País nesses moldes. Três deles ocorreram em São Paulo: o ataque no cinema no shopping no Morumbi, o ataque na Catedral de Campinas e esse agora. Além deles, há também o incêndio causado no interior de Minas Gerais, que matou crianças e uma professora, e o caso de Realengo, no Rio. 

“Os casos obedecem a uma mesma lógica: causar dano a um maior número de pessoas de forma aleatória para aumentar a repercussão”, disse o coronel, explicando que um revólver calibre 38, com um mecanismo para facilitar a recarga de munições, além de uma besta, um arco e flecha e um machadinho foram localizados com os suspeitos. Eles carregavam ainda um simulacro de bomba.

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