Atirador recarregou revólver 9 vezes

Ele disparou 66 tiros e atingiu 24 garotos; polícia pediu quebra de sigilo telefônico

Alfredo Junqueira / RIO, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2011 | 00h00

Wellington Menezes de Oliveira recarregou seu revólver calibre 38 pelo menos nove vezes enquanto atacava os estudantes da Escola Municipal Tasso da Silveira, anteontem, em Realengo, na zona oeste. De acordo com a Delegacia de Homicídios da Polícia Civil do Rio, o atirador disparou pelo menos 66 tiros, que provocaram a morte de 12 jovens e ferimentos em outros 12.

A tragédia, no entanto, poderia ter sido ainda pior. Ao ser atingido pelo disparo do sargento da Polícia Militar Márcio Alexandre Alves e, logo em seguida, cometer suicídio, Wellington ainda levava mais 23 projéteis na arma e nos speed loaders - equipamento de recarga. Além do 38, a polícia ainda apreendeu um revólver calibre 32, oito speed loaders, um canivete e um cinturão com 13 compartimentos para balas. O equipamento estava manchado de sangue.

De acordo com o titular da Delegacia de Homicídios, Felipe Ettore, o assassino não falou nada para suas vítimas durante as execuções. "Só quando entrou na sala e disse que ia dar uma palestra. Começou a atirar aleatoriamente, sem falar nada", disse.

Ettore ainda disse acreditar que o atirador não fez nenhum treinamento específico para usar as armas no massacre. "O revólver 38 é uma arma de fácil manuseio, não requer treinamento especializado", explicou.

Armas e telefone. A procedência das armas está sendo investigada pela Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos (Drae). O revólver 32 foi roubado de seu dono em um sítio, em 1994. O 38 está com a numeração raspada.A Delegacia de Homicídios deve solicitar a quebra de sigilo telefônico do atirador. Ainda segundo o delegado Ettore, os depoimentos de uma irmã adotiva e de dois sobrinhos mostram que Wellington provocou o massacre por ser portador de algum distúrbio mental. Os parentes confirmaram que ele não tinha amigos e nunca teve namorada.

O que parecia timidez exagerada até os 10 anos tornou-se completa introspecção - de acordo com a polícia. Wellington parou de jogar bola com as crianças e passou a odiar esportes coletivos. Sua irmã disse que ele passou a ficar distante e, após a morte dos pais adotivos, o atirador afastou-se de vez dos parentes.

O delegado ainda relatou que o rapaz apresentava uma série de comportamentos considerados estranhos, como só usar calça comprida e camisa para dentro - mesmo dentro de casa. "Isso ocorria desde que ele era muito nov", observou Ettore. / COLABOROU ROBERTA PENNAFORT

Corpo

Até ontem, o corpo de Wellington não havia passado por reconhecimento no IML. Se o corpo não for reclamado pelos parentes em até 15 dias, ele será enterrado como indigente.

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