Atirador que roubou carros é levado para hospital psiquiátrico

Empresário que atirou em duas pessoas para roubar carros, em janeiro deste ano, foi considerado inimputável

Camila Brunelli - O Estado de S. Paulo,

02 de agosto de 2012 | 21h26

SÃO PAULO - O empresário e artista plástico Michel Goldfarb Costa, de 35 anos, foi transferido nesta quinta-feira, 2, para um hospital psiquiátrico particular onde deverá aguardar julgamento. Ele é acusado por atirar em duas pessoas para roubar quatro carros e tentar levar outros dois, além de se envolver em quatro acidentes de trânsito que deixaram duas pessoas feridas, em 9 de janeiro deste ano.

A Justiça concedeu habeas corpus impetrado por seus advogados com base em laudo que classifica o artista plástico como inimputável, ou seja, incapaz de responder por seus atos.

No documento, pedido pela defesa e emitido pelo Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc), são descritas algumas das impressões do paciente durante os últimos anos, assim como sua versão do que teria acontecido na noite do crime. Nele, o médico que assina o laudo relata que Goldfarb passou a ficar desconfiado das pessoas após o falecimento da mãe, duvidando até das intenções dos familiares mais próximos e da namorada.

Em um momento da entrevista, Goldfarb chegou a dizer que, dias antes dos fatos citados na denúncia, teve uma "premonição da morte". Na noite do crime, ainda segundo o laudo, o empresário achou que alguém tivesse entrado em sua casa. Como a namorada não conseguisse usar o telefone para chamar a polícia, se assustou com ideia de que alguém tivesse danificado o telefone."Corria de um lado para o outro, pensando que estivessem mirando nele...Bateu seu carro, já na rua, e viu um táxi. Pediu que este parasse para ajudá-lo a fugir, mas o motorista de táxi desviou e foi embora. Nessa hora estava com a arma na mão."

O laudo ainda narra a sensação de desespero que o artista sentiu na hora em que fez disparos contra as maçanetas dos carros. "Só pensava em salvar a minha vida." A conclusão do laudo é de que Goldfarb é "portador de alterações psíquicas, com sinais, história e sintomas compatíveis com moléstia mental alienante: psicose crônica do tipo transtorno esquizofrênico de cunho intensamente paranoide (doença mental). O consideramos, sob o ponto de vista medico legal, como inimputável para o delito descrito na denúncia."

"Já era óbvio que o Michel jamais quis machucar ninguém. Ele foi acometido por um surto psicótico de característica paranoide. Ele achava que estava sendo perseguido e ia ser morto", disse o advogado que o representa, Renato Martins.

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