Atirador fere 4 para evitar internação psiquiátrica e se tranca em casa por 9h

Caso ocorreu na Aclimação; família solicitou interdição judicial de administrador de 33 anos e queria levá-lo para uma clínica em Itapira

ARTUR RODRIGUES , WILLIAM CARDOSO , DENIZE GUEDES, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2012 | 08h36

Para tentar evitar internação psiquiátrica, o administrador de empresas Fernando Behmer Cesar de Gouveia Buffolo, de 33 anos, feriu quatro pessoas na porta de casa na Aclimação, região central. A polícia cercou o imóvel na Rua Castro Alves e o atirador só se entregou após 9h de negociação. Após passar pelo Hospital do Servidor Municipal, ele foi levado ao 6.º DP (Cambuci) para ser indiciado por quatro tentativas de homicídio.

Às 8h17, o advogado da família, José Cociolito, um psiquiatra, três enfermeiros e um oficial de justiça bateram na porta da casa onde Buffolo vivia com a psicóloga Silvia Godin, de 45 anos. Eles pretendiam apresentar ofício da interdição do rapaz, solicitada pela família, e levá-lo para avaliação psiquiátrica e internação em uma clínica de Itapira, no interior.

Na porta, Silvia disse que ninguém levaria o rapaz dali. A conversa durou três minutos. "A senhora Silvia duvidou de nosso mandado e começou a gritar. Nisso ele apareceu e, sem dizer uma palavra, abriu a porta e começou a atirar a esmo", disse Cociolito.

O administrador atingiu a própria companheira com um tiro no maxilar. Depois, acertou o peito do oficial de justiça e o rosto de um dos enfermeiros. As vítimas caíram na calçada e foram socorridas pela ambulância que seria usada para levar o administrador para avaliação médica. Buffolo se fechou na casa.

Policiais militares foram chamados e, quando se aproximavam, um deles teve o escudo atingido por um tiro de calibre 12. A bala ricocheteou e o soldado Valdenilson Bezerra de Lima foi atingido por estilhaços.

Segundo a PM, um dos enfermeiros teria tentado desarmar Buffolo e, durante a luta, ele teria se machucado na testa - mais tarde, receberia três pontos. Mas Cocioloto apresentou outra versão: a de que o rapaz se machucou ao disparar e cacos de vidro teriam acertado seu rosto.

A partir daí, teve início a negociação. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) também foi chamado. Segundo o tenente-coronel Marcelo Pignatari, responsável pela operação, no início o administrador estava nervoso - o diálogo era interrompido a todo momento e ele não demonstrava interesse em se entregar.

Um de seus primeiros pedidos foi a presença da imprensa. Montou-se então um cerco policial com 30 agentes a 50 metros da casa. A mãe do rapaz - a professora Leni Behmer Pinto César, de 65 anos - ficou no local o tempo todo. O PM Lima conta que Buffolo parecia "extremamente inteligente". "Sua fala não era desconexa. Ele parecia ter plena consciência do que ocorria. Quem deu informação de que sofria de problemas psiquiátricos foi a mãe dele."

Por volta do meio-dia, a conversa foi interrompida. Buffolo se mostrava arredio. Policiais mantinham só contato visual, pela janela da casa vizinha. Ele chegou a subir no telhado com duas armas. A rendição ocorreu às 17h10, quando Buffolo colocou as mãos pelo vidro da porta, foi algemado e levado ao 6.º DP.

No mesmo local, mais à noite, sua mãe depôs e encostou-se em uma janela por vários minutos, com olhar perdido e mão no queixo. Após ser indiciado, Buffolo seria levado ao 31.º DP (Vila Carrão), onde ficam os presos com nível superior.

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