Atirador fere 3 para evitar internação psiquiátrica e se tranca em casa por 9h

Caso ocorreu na Aclimação e mobilizou cerca de 30 PMs; família solicitou avaliação médica, que poderia levar a recolhimento em Itapira

ARTUR RODRIGUES , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

19 Outubro 2012 | 08h43

Para tentar evitar uma internação psiquiátrica, o administrador de empresas Fernando Behmer Cesar de Gouveia Buffolo, de 33 anos, saiu de casa atirando e feriu três pessoas na Rua Castro Alves, na Aclimação, região central de São Paulo. A polícia foi chamada e o atirador se entregou só depois de nove horas de negociação. Levado ao Pronto-Socorro do Hospital do Servidor Municipal, Buffolo deverá ser indiciado por quatro tentativas de homicídio, além de passar por avaliação médica.

Às 8h17, o advogado da família, José Cociolito, um psiquiatra, três enfermeiros e um oficial de justiça bateram na porta da casa onde o administrador vivia com uma amiga, a psicóloga Silvia Godin, de 44 anos. Eles pretendiam apresentar o ofício da interdição do rapaz, solicitada pela família, e levá-lo para avaliação psiquiátrica e, dependendo do resultado, para uma clínica em Itapira, na região de Campinas.

A amiga de Buffolo foi à porta e disse que ninguém levaria o rapaz dali. A conversa durou cerca de três minutos. "A senhora Silvia duvidou do nosso mandado e começou a gritar. Nisso, ele apareceu e, sem dizer uma palavra, abriu a porta e começou a atirar a esmo", afirmou o advogado.

O administrador atingiu a própria amiga com um tiro no maxilar. Depois, acertou o peito do oficial de justiça e o rosto de um dos enfermeiros.

As vítimas caíram na calçada e foram levadas ao pronto-socorro, na mesma rua, pela ambulância que seria usada para levar o administrador para avaliação. Buffolo se fechou na casa.

Ferimentos. Com os disparos, policiais militares foram chamados para acompanhar a ocorrência e, quando se aproximavam da casa para tentar conter o atirador, um deles teve o escudo atingido por um tiro - possivelmente disparado de uma espingarda calibre 12.

A PM afirmou que um dos enfermeiros ainda teria tentado desarmar Buffolo. Durante a luta, o administrador teria se machucado no peito e na testa. Conforme o advogado da família, que estava no local, isso não aconteceu: o rapaz se machucou provavelmente ao disparar contra os policiais, já com a porta de casa fechada. Os cacos de vidro teriam acertado seu rosto.

A partir daí, teve início a negociação, feita por um integrante do 11.º Batalhão da PM. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) também foi chamado para acompanhar o caso.

Segundo o tenente-coronel Marcelo Pignatari, responsável pela operação, o administrador se mostrou bastante nervoso durante as primeiras conversas. O diálogo era interrompido a todo momento e ele não demonstrava interesse em se entregar.

De acordo com o advogado da família, um dos primeiros pedidos feitos pelo administrador, assim que a polícia chegou ao local, foi para que tudo fosse acompanhado pela imprensa. Montou-se então um cerco policial com cerca de 30 agentes a aproximadamente 50 metros da casa. A mãe do rapaz permaneceu no local o tempo todo, ao lado de policiais.

Por volta do meio-dia, as conversações foram interrompidas. Buffolo se mostrava arredio e não queria mais falar. Os policiais mantinham só contato visual, por meio da janela de uma casa vizinha. Ele chegou a subir no telhado por diversas vezes, portando duas armas.

A rendição ocorreu às 17h10, quando Buffolo colocou as mãos pelo vidro quebrado da porta e foi algemado.

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