Até salão de beleza é alvo de arrastão

Ladrões levaram pertences de clientes e o carro da dona do estabelecimento em Moema; após perseguição, dois foram presos

CAMILLA HADDAD, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2012 | 03h05

Uma clínica de estética na Alameda Jurupis, em Moema, zona sul de São Paulo, sofreu um arrastão na tarde de anteontem e clientes que faziam unha, depilação e tratamento facial tiveram suas bolsas roubadas. Por volta das 16h30, dois homens armados com uma pistola levaram objetos de oito clientes e da proprietária do salão. No momento do assalto, mais três funcionárias atendiam as clientes. O bando fugiu do local no Kia Soul da dona do estabelecimento.

Ontem à tarde, André Marcos da Cunha Martins, de 20 anos, e um adolescente de 17 foram presos suspeitos de fazer o arrastão. Eles circulavam pela região da Avenida Yervant Kissajikia, na Vila Joaniza, zona sul, com o carro roubado no dia anterior, quando desobedeceram ordem de parada de policiais militares. Houve perseguição durante cinco minutos. Ao render os suspeitos, os PMs encontraram no porta-malas bolsas e aparelhos eletrônicos, como iPads e iPhones.

O soldado Maurizio Perin, das Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicleta (Rocam), do 22.º Batalhão, contou que os acusados alegaram que as bolsas eram de suas mães. Ao identificar o veículo, o PM entrou em contato com a dona da clínica e, enquanto efetuavam o flagrante, enviou a foto dos dois suspeitos por mensagem. Eles foram reconhecidos imediatamente. Perin disse também que os dois detidos já têm passagem por roubo.

De acordo com o soldado, é comum bandidos venderem os pertences das vítimas em regiões carentes e por preços bem abaixo do mercado. "Eles iriam abrir o porta-malas aqui na região (da Vila Joaniza) e, com certeza, cada um desses iPhones seria comercializado por R$ 400 a R$ 500." Perin afirmou que a dupla foi audaciosa ao escolher os itens. "Os celulares das manicures eles nem quiseram, porque não eram smartphones."

A ação. Entre as clientes, havia uma pedagoga, duas empresárias e donas de casa. A proprietária da clínica, de 58 anos, que não quis se identificar, contou que a ação na tarde de terça-feira durou dez minutos. "Entraram e ficaram com a arma o tempo todo abaixada. Pediram as bolsas e saíram com o meu carro. Quando saíram, ficou todo mundo com medo e a mulherada começou a gritar."

A dona do salão contou que abriu o estabelecimento há seis meses. É a primeira vez que ela é assaltada e disse que agora está muito assustada. "Não vou reforçar a segurança nem mudar de endereço. Agora, o que vou fazer é trancar a porta."

Uma outra vítima, uma cliente de 64 anos, disse que estava fazendo as mãos quando foi surpreendida pelos assaltantes. "Saí de casa para relaxar e me senti violentamente agredida, mas isso é São Paulo." Durante o arrastão, ela contou que pediu para as outras mulheres levantar as mãos e não reagir.

No 27.º Distrito Policial (Campo Belo), onde o caso foi registrado como roubo, o Boletim de Ocorrência (BO) registrava um prejuízo de R$ 69 mil, entre dinheiro, objetos e eletroeletrônicos. "Uma das vítimas tinha R$ 1 mil na carteira", revelou Perin.

Clima. Na Alameda Jurupis, comerciantes comentaram que roubos e furtos de veículos são comuns na via. "Vira e mexe, vejo carro parado com vidros quebrados", contou o dono de um sebo. A gerente de um bar perto do local do crime conta que muitas lojas, por precaução, contrataram seguranças para ficar nas portas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.