Até prédios já são derrubados para dar lugar a torres

Falta de terrenos faz construtoras mandarem pôr edifícios abaixo para erguer outros maiores; demolição chega a passar de 6 meses

ADRIANA FERRAZ , TIAGO QUEIROZ, O Estado de S.Paulo

09 Dezembro 2012 | 02h01

Vale tudo por um bom terreno em São Paulo. Em regiões cada vez mais disputadas pelo mercado imobiliário, incorporadoras passaram a demolir prédios pequenos para investir em construções cada vez maiores e direcionadas ao setor corporativo. O resultado é o aproveitamento contínuo dos lotes mais valiosos, que, com o passar dos anos, são transformados de acordo com a demanda. De sobrados, viram fábricas, que viram prédios e depois torres gigantes de escritórios.

O fenômeno ganhou fôlego nos últimos três anos, quando empresas de demolição passaram a acumular encomendas das principais incorporadoras. Segundo a Secretaria Municipal de Coordenação das Subprefeituras, 7.899 pedidos de alvarás de demolição (incluindo de casas) foram solicitados desde 2009 - média de 7 por dia. O eixo formado pelas Avenidas Engenheiro Luís Carlos Berrini e Brigadeiro Faria Lima é o mais disputado.

A demolidora Diez, uma das maiores do setor, põe abaixo um prédio de 12 andares e 2 subsolos na Rua Francisco Tramontano, perto da Ponte do Morumbi, na zona sul. No local, surgirá uma megatorre comercial, cujos detalhes da construção não foram revelados. Dono da demolidora, Isidro Diez diz que o serviço vai durar 6 meses e ficar pronto em março. "O processo é de desconstrução, feita manualmente. Quando se chega ao quarto andar, já dá para usar máquinas pesadas, de até 40 toneladas."

Há cerca de um mês, um edifício de dez andares foi demolido em 90 dias pela Diez na esquina da Rua Horário Lafer com a Faria Lima, no Itaim-Bibi, também na zona sul. Em breve, uma torre comercial será erguida pela construtora FReis no local, que já teve casas e um prédio residencial.

"Hoje, essa é a única saída encontrada pelo mercado. Em algumas regiões, não há mais terreno. Quem quer investir já sabe o caminho", diz Isidro. Geralmente, o pacote de demolição inclui a preparação do terreno para o futuro projeto e a britagem do material. O entulho é triturado e encaminhado à reciclagem - na maioria das vezes, vira asfalto.

Fim do impasse. Em Osasco, na Grande São Paulo, a demolição foi a solução encontrada para um impasse que já durava 40 anos. Um residencial de três prédios abandonados no bairro do Bonfim começou e ser desconstruído pela FBI Demolição neste ano. O primeiro edifício foi derrubado em três meses. Cada um tem 13 andares. No lugar dele, serão erguidos 450 apartamentos.

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