Até o ex-presidente Lula chegou a morar em invasão

Com 7 anos e recém-chegado ao litoral paulista depois de 13 dias de viagem de Garanhuns, no interior pernambucano, até Santos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a morar com a mãe na Cota 200. Eles ficaram os primeiros dias com o pai de Lula em uma casa em Vicente de Carvalho, no Guarujá, mas logo mudaram para a ocupação às margens da Via Anchieta.

Diego Zanchetta, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2011 | 00h00

Quando Lula e a mãe, Eurídice, chegaram ao Guarujá, o pai do ex-presidente já tinha outra mulher. Eurídice então decidiu sair da casa do marido e ficou morando de favor, cerca de um mês, na casa de amigos nordestinos na Cota 200. Em seguida, eles mudaram para a Vila Carioca, em São Bernardo do Campo.

Os relatos estão em recentes biografias do ex-presidente, que ajudou a fechar a Via Anchieta diversas vezes quando liderava greves de metalúrgicos na região do ABC paulista. "Na época do sindicato, o Lula conhecia todo mundo nas cotas. Ele pedia ajuda para a gente fazer os bloqueios na Anchieta durante as greves. Os caminhões ficavam parados dias na estrada sem chegar ao Porto de Santos", recorda José Roberto de Oliveira, de 68 anos, comerciante e morador na Cota 400.

Oliveira diz que as ocupações na Serra do Mar tiveram início após a inauguração da segunda pista da Via Anchieta, em 1952. Dezenas de operários que haviam sido contratados pelo governo estadual e viviam em alojamentos construídos ao lado da serra, a maior parte moradores do Nordeste, acabaram não voltando para casa.

Foco de resistência. Severino Pereira Dutra, de 57 anos, lembra dessa época. Ele tem um mercado na Cota 200 desde os anos 1970 e é aposentado da Cosipa. Criou os filhos e netos na ocupação e é um dos líderes comunitários que pregam a resistência contra as remoções. "Minha vida toda está aqui, minha história. Nenhuma indenização vai pagar a vida que eu construí aqui", afirma. "Não quero morar em conjuntos separados dos meus filhos."

Segundo a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo (CDHU), todos os parentes que vivem nas ocupações vão poder morar nos mesmos conjuntos habitacionais.

"Temos dado prioridade para deixar filhos e pais sempre nos mesmos conjuntos", disse Fernando Chucre, coordenador do Programa de Revitalização da Serra do Mar.

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