Até 'neve fake' vira presente de paulistano

Na Paulista, 'anjo' ganha R$ 400 por noite; nos shoppings e na 25, compras são o único foco

MARINA AZAREDO, O Estado de S.Paulo

23 Dezembro 2013 | 02h02

Pouco antes das 18h30 do sábado, a movimentação ficou intensa na esquina da Avenida Paulista com a Alameda Ministro Rocha Azevedo. Imbuídos de espírito natalino, crianças e adultos se aglomeravam em torno da agência do Itaú Personnalité para se dar um presente: acompanhar a "chuva de neve", que começaria em poucos minutos. O espetáculo, que consiste em espuma branca lançada do alto do casarão que abriga a agência, é uma das principais atrações do já tradicional Natal da Avenida Paulista. Por lá, ouviam-se palavras como "generosidade", "bondade" e "esperança".

A administradora Eliane Magno, de 36 anos, aproveitou o clima natalino da principal avenida da capital para comemorar o aniversário do marido ao lado da filha de 2 anos, Maria Eduarda. "Viemos almoçar por aqui e depois ver a decoração. Gosto do clima de Natal", contou.

Perto dali, a supervisora de floricultura Claudiane da Silva, de 28 anos, observava tudo: os prédios, a decoração, os artistas de rua. "Moro em São Paulo há seis anos e essa é a primeira vez que piso na Avenida Paulista. Vi a decoração na TV e fiquei curiosa. Está muito bonito, a decoração do meu bairro não chega aos pés dessa", comparou ela, que é moradora da Vila Ema, na zona leste. Enquanto isso, um grupo de turistas alemães passava e ria da neve "fake". "Eles não sabem o que é neve", comentou um deles, entre gargalhadas, enquanto postava uma foto no Instagram.

Anjo à vista. Aproveitando o movimento da rua, artistas de rua e vendedores ambulantes se posicionam próximos dos pontos onde há decoração. "As pessoas ficam mais generosas no Natal", comenta Estevão Lopes, de 27 anos, que durante o ano "faz de tudo um pouco", mas aproveita os últimos dias do ano para faturar vestido de anjo na Paulista. "Ontem, consegui R$ 400", calcula.

"O espírito natalino faz as coisas acontecerem. No fim do ano, as pessoas trabalham menos e começam a fazer um balanço da vida, têm mais tempo para repensar seus atos. Muitos acabam ficando mais generosos mesmo", analisa o psicólogo especialista em relacionamentos Thiago de Almeida.

Shopping e 25. Não muito longe dali, no Shopping Pátio Paulista, muita gente fazia as últimas compras de Natal no sábado à noite. Juntamente com a mãe, a funcionária da indústria farmacêutica Iara Ribeiro, de 31 anos, carregava 17 sacolas, mas estava longe de terminar as compras. "Temos de comprar 30 presentes", concluiu, depois de fazer os cálculos. Para aqueles que deixam as compras para a última hora, quase todos os shoppings funcionam até as 23h hoje. Alguns, como o Anália Franco e o Ibirapuera, vão até a meia-noite.

Os atrasados também costumam ir até a 25 de Março, que está funcionando em horários especiais. Ontem a tradicional rua de comércio popular estava movimentada como em qualquer dia útil. "Aqui tudo é mais barato, mas é muita gente, acho que vou desistir", lamentou o produtor Peter Queiroz. A vendedora Daniela Tomaz também não estava muito satisfeita. "É muito sofrido trabalhar na 25. Além de estar sem folga há muitos dias, moro no Itaim Paulista (zona leste) e tenho de vir de trem. É o pior transporte. Quero ver na Copa", reclamou.

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