Até na fachada é possível notar a deterioração

Parte do local, desenhado no fim do século 19 pelo arquiteto Ramos de Azevedo, ficou sete anos inutilizado

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

26 Dezembro 2011 | 03h04

A deterioração do prédio pode ser vista mesmo do lado de fora dos muros. A pintura amarela falhada, escurecida, descascada e manchada pela poluição e pela umidade do centro paulistano contrasta com a nova mão de tinta recebida por uma ala da Rota recém restaurada.

Esse trecho ocupado pelos homens do Tobias de Aguiar ficou sete anos inutilizado. Somente no início do mês o governo estadual entregou parte da reforma da ala inteira do prédio principal que contorna o terreno e dá acesso ao Batalhão de Cavalaria. Ela havia sido consumida pelas chamas de um incêndio de cinco horas - cuja causa, diz a PM, foi um curto-circuito, em 7 de dezembro de 2004. A restauração custou R$ 2.381.457,13.

Desenhada no fim do século 19 pelo arquiteto Ramos de Azevedo, a caserna da PM - que à época era chamada de Força Pública - foi construída entre 1888 e 1892, ao custo de 360 contos de réis, segundo relato do livro Quartel da Luz, Mansão da Rota - Histórias do Batalhão Tobias de Aguiar, lançado neste mês pelo ex-comandante da Rota, tenente coronel Paulo Telhada.

Há quem diga que o desenho tenha sido influenciado pela maçonaria da França - tem escadas com 33 degraus (mais elevado grau na hierarquia maçônica); e se afirma que Ramos de Azevedo se inspirou em um quartel da Legião Francesa, no Marrocos - fato não comprovado, de acordo com o livro de Telhada.

O estilo lembra fortalezas da Europa e se chama pós-napoleônico. "Vamos restaurar a obra do quartel, é uma obra de arte", diz o comandante Morelli, para quem a história do quartel têm influência e mexe com os comandados. "A antiguidade do prédio traz uma satisfação pessoal em trabalhar aqui. O policial se sente valorizado. Se o prédio tem importância histórica, é preciso trazer à forma antiga."

"É muito gostoso trabalhar em um prédio de 1890", afirma o tenente Luis Campanhã, da Cavalaria, que ainda busca resgatar histórias do Regimento 9 de Julho, do qual o avô fez parte.

Como visitar

A PM FAZ UM ROTEIRO CULTURAL AOS SÁBADOS NO QUARTEL DA LUZ. PARA MARCAR UMA VISITA E CONHECER A ROTA E A CAVALARIA, AGENDE PELO TELEFONE (11) 3327-7062. O PASSEIO É GRATUITO.

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