Até música pop é usada para atrair os jovens

Proposta é levar aos locais mais distantes cursos de formação de conselheiros em dependência

CHUÍ (RS) , O Estado de S.Paulo

19 de agosto de 2012 | 03h04

Para atingir também adolescentes, os homens da Força Aérea Brasileira (FAB) e a equipe de profissionais especializada em dependência química adotam estratégias diferenciadas. Se para as crianças falaram sobre a importância de não colocar "coisas sujas" no organismo, para os jovens o tom era mais motivacional. A equipe chegou a cantar trecho de O Sol, de Jota Quest: "E se quiser saber pra onde eu vou/ pra onde tenha sol/ é pra lá que eu vou".

A mensagem principal, porém, é sobre a formação dos centros de tratamento comunitário, onde famílias e usuários de droga encontram apoio. "A gente não tem repostas prontas. Elaboramos com as famílias a melhor maneira de lidar com cada caso, explica Ângela, coordenadora pedagógica do centro de tratamento que funciona na Câmara Comunitária da Barra.

Ângela era diretora de escola quando o filho de 15 anos passou a usar maconha e, mais tarde, cocaína. "Você se pergunta onde errou, como deixou aquilo acontecer. Depois, decide que vai consertar o que falhou. É preciso a família também se tratar para entender que não foi erro de ninguém, que é uma doença."

No centro, o psiquiatra Jorge Jaber, do Rio, montou curso de formação de conselheiro em dependência química para o público leigo, com um ano de duração. "É preciso formar mão de obra para lidar com esse problema. Temos experiências positivas com a recuperação de dependentes químicos em grupos comunitários, acompanhados por leigos, que são supervisionados por equipes de psiquiatras. Pode ser a solução para municípios pequenos, sem estrutura, ou para os grandes municípios, com atendimento superlotado", afirma.

A proposta é levar esses cursos de formação para os locais mais distantes, seja por aulas em videoconferência, seja por curso a distância, que ainda será formatado. A partir das palestras que deu, Jaber já foi procurado por gestores de abrigos de Porto Alegre e pela Secretaria de Saúde de Foz do Iguaçu.

Contra o crime. A Operação Ágata combate os chamados crimes de fronteira - contrabando, tráfico de drogas, transporte de carros roubados para o exterior. Na quinta edição, Forças Armadas, Polícia Federal e outros 20 órgãos do governo atuam em um trecho de 3 mil quilômetros, entre Chuí (RS) e Açorizal (MS).

Dez mil militares participam da ação. Iniciada em 6 de agosto, apreendeu na primeira semana 12 mil quilos de explosivos, R$ 40 mil em notas falsas, 6 mil quilos de drogas, entre outros materiais ilícitos, segundo relatório liberado em 13 de agosto. Os trabalhos terminam amanhã.

"Não é a operação com maior número de apreensão, mas é a que mais desestrutura o crime, por causa da presença ostensiva das Forças Armadas", diz o major Bruno Pedra. / C.T.

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