Até hoje, sono com remédios

Em julho de 2007, as irmãs gaúchas Renata e Fernanda Vinholes Oliveira tinham apenas 15 e 17 anos, respectivamente, quando a tragédia aconteceu. Quatro anos depois, a ainda adolescente Renata fala séria e com voz firme sobre o acidente que matou seu pai, o engenheiro Fernando Oliveira, à época com 51 anos.

Nataly Costa, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2011 | 00h00

Ela passou o aniversário de 16 no centro de identificação do Instituto Médico Legal (IML), em São Paulo. "Perdemos nosso centro, o pilar da família. Eu e minha irmã tivemos de amadurecer antes do tempo. Toda essa coisa de reconhecimento de corpo, espera, investigação, tudo isso fez a gente crescer muito. Mas é claro que preferia que não tivesse sido assim", ressalta.

Renata e Fernanda moram em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, com a mãe, Joice, e participam periodicamente de missas e homenagens às vítimas do acidente em Porto Alegre e São Paulo. "Ainda preciso tomar remédios porque fico muito agitada e tenho dificuldade para dormir", conta a viúva. "Meu marido nunca viajava na terça, mas tinha decidido ficar um dia a mais com a gente, antes de voltar para o trabalho. Não voltou."

Até hoje a família guarda objetos pessoais de Fernando que sobraram intactos do acidente. "Tenho dinheiro e cartões de banco que ele levava. Ainda não lavei a última camisa que ele usou antes de tomar banho e sair de casa", diz Joice.

A denúncia do Ministério Público Federal foi vista como uma vitória coletiva. "Não podemos dizer que o sentimento é de alegria, mas de alívio", afirmou. "É bom saber que podemos acreditar na Justiça, ainda que parcialmente. Sei que a pena pode ser bastante reduzida, mas ainda tenho a esperança de que os culpados poderão ser presos", afirma Renata.

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