Até garoto de 12 anos participou de incêndio de ônibus que matou 2 pessoas

Testemunhas dizem que agressores - 6 deles adolescentes - demonstraram crueldade; 3 dos 14 acusados foram achados em hospitais

ARTUR RODRIGUES, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2012 | 02h01

Até uma criança de 12 anos se envolveu no incêndio do ônibus que terminou anteontem com a morte de duas pessoas no Jaçanã, zona norte de São Paulo, segundo a Polícia Civil. A investigação concluiu que 14 pessoas participaram da ação, incluindo seis adolescentes. Testemunhas afirmam que os agressores demonstraram crueldade e não deram chance para que as vítimas saíssem do coletivo, incendiado em protesto contra a execução de um jovem praticada por policiais militares.

Todos os envolvidos foram apontados por um adolescente que também participou da ação. O rapaz resolveu dizer quem eram os responsáveis porque, durante o incêndio, tentaram matá-lo. Em seu depoimento, disse que os jovens apreendidos estão envolvidos com o tráfico de drogas na região do Jardim Brasil. A afirmação bate com a apuração feita até agora pela polícia, que constatou que pelo menos sete dos 14 acusados já passaram pela Fundação Casa.

O menino de 12 anos e os demais adolescentes foram encaminhados à entidade. A mãe do garoto, uma auxiliar de limpeza de 37 anos, afirmou que ele chegou depois que o ônibus estava pegando fogo.

Segundo ela, o garoto só estava na rua por volta das 3 horas de domingo porque foi a uma balada acompanhado da irmã, de 16 anos. "Ele foi até lá porque tinham matado um rapaz. Não botou fogo em nada", disse. "Na delegacia, pedi para deixarem ele ir comigo. Mas não deixaram. Ele ficou chorando, agarrado às minhas pernas."

Três dos detidos foram encontrados por policiais em hospitais, quando passavam por tratamento de queimadura, e confessaram o crime. No entanto, negaram ter tido intenção de matar as vítimas.

Premeditação. A investigação aponta que o crime foi premeditado: uma hora depois da morte de Maycon Rodrigues de Moraes, de 19 anos, e de um outro rapaz ser baleado por PMs da Força Tática, quatro rapazes de bicicleta chegaram a um posto de gasolina na Avenida João Simão de Castro. Os jovens compraram seis garrafas de combustível. Na ocasião, segundo o depoimento de uma testemunha ouvida pela polícia, teriam dito que queimariam um ônibus para vingar a morte do amigo.

O delegado titular do 73.º DP (Jaçanã), Mário Guilherme da Silveira Carvalho, disse que a investigação ainda não acabou. "Estamos apurando quem é o mandante do crime e se há mais envolvidos." Os detidos serão responsabilizados por homicídio, incêndio, corrupção de menores e formação de quadrilha. Um outro adolescente, envolvido no incêndio do segundo ônibus, também foi detido.

PMs. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) constatou que seis policiais militares que integram a Força Tática participaram do assassinato de Maycon Moraes - um colega dele foi baleado e ficou ferido - crime que motivou os protestos. Testemunhas viram os dois rapazes descendo de um Passat com as mãos para o alto, sem reagir, e depois sendo baleados. Os PMs estão presos e devem ser expulsos, caso essa versão seja comprovada (leia texto nesta página).

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