Até faixa exclusiva 'modelo' tem problemas

Engenheiro percorre Rebouças e aponta principais obstáculos para travessias

O Estado de S.Paulo

07 Outubro 2012 | 03h06

Ex-ombudsman da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para a Campanha de Proteção ao Pedestre, o engenheiro de tráfego Luiz Célio Bottura percorreu, a convite do Estado, o corredor de ônibus da Avenida Rebouças, que liga a zona oeste ao centro de São Paulo e é descrito como "modelo" pela Prefeitura. O objetivo foi listar os pontos de insegurança para o pedestre na via.

"Atravessar é uma questão de oferta e procura. A procura sempre existe. A oferta tem de ser organizada pela Prefeitura", explicou Bottura, antes de o passeio começar, na tarde de quarta-feira. Antes da vistoria, Bottura leu o relatório Diretrizes de Segurança do Pedestre para Projetos de Corredores de Ônibus com Porta à Esquerda, publicado pela CET neste mês.

Nem foi preciso folhear o texto, de 11 páginas, para encontrar problemas. "Você pode ver que aqui há longos trechos sem faixa de pedestre. Ele (pedestre) não vai caminhar até achar a faixa. Atravessa onde dá", diz.

A falta de faixa é associada ao problema da falta de bloqueios - com grades ou vegetação - no canteiro central da avenida. Se esses bloqueios existissem, o pedestre não teria como fazer a travessia - só se caminhasse devidamente até a faixa.

Outro problema encontrado por Bottura foi a construção de uma rampa para deficientes na esquina da Rebouças com a Rua Estados Unidos. A rampa está fora da faixa de pedestre. O cadeirante precisa entrar na rua, desviar para a faixa e então fazer a travessia. "A Prefeitura sabe fazer as coisas, já fez as obras do jeito correto várias vezes. O problema é repetir as coisas erradas", critica.

Outros corredores. A situação em outros corredores da cidade é bem pior do que no da Rebouças. Na Estrada do M'Boi Mirim, na zona sul, os semáforos para pedestre da Parada Humberto de Almeida estavam apagados na quinta-feira. Por outro lado, ali existem bloqueios nos canteiros que impedem a passagem de pedestres. Os pontos de embarque também têm proteção adequada.

Os semáforos queimados foram notados na Parada Banespa do Corredor Santo Amaro, também na zona sul, e no Corredor Inajar de Souza, na zona norte - que é o que menos obedece às recomendações feitas pela CET. Lá, os pontos do corredor são paradas comuns, sem nenhum tipo de grade para ordenar o fluxo de pedestre, e a faixa exclusiva só existe na pista sentido centro. / BRUNO RIBEIRO e MÔNICA REOLOM, ESPECIAL PARA O ESTADO

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.