Até ex-policial devolve armas em campanha

Na semana passada, 65 artefatos foram entregues voluntariamente, a maioria revólveres

O Estado de S.Paulo

26 de agosto de 2012 | 03h03

Na semana passada, entre os dias 13 e 18, a Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania, a Defensoria Pública e o Sou da Paz recolheram 65 armas, entregues voluntariamente, por moradores da cidade. Desse total, 65% eram revólveres, 14%, pistolas e 8%, espingardas. Não são muitas, mas a campanha revelou a descrença na utilidade das armas de fogo até em policiais que abandonaram seu ofício. Dois PMs aposentados entregaram os revólveres na campanha.

A maioria, no entanto, aproveitou a oportunidade para livrar-se de um artefato que incomodava, mesmo escondido em cofres ou dentro do armário. "Não foi pelo dinheiro. Eu simplesmente não queria mais essa arma dentro da minha casa", diz a aposentada Vera Lúcia Monteiro Costa, de 64 anos.

Ela nasceu em Santo Amaro, na zona sul, quando o bairro ainda era um reduto pacato que se ligava à Vila Mariana pelos bondes. Vera era a caçula de sete irmãos, que cuidavam dela, enquanto o pai e a mãe iam para o trabalho. "Mas não tinha risco. Não havia problemas de segurança por aqui", lembra.

Quando era adolescente, em 1963, ela viu ser erguida a estátua do bandeirante Borba Gato, com mais de 10 metros de altura e um trabuco na mão esquerda. No segundo casamento, encontrou um marido com espírito parecido com os desbravadores de São Paulo. Filho de um piauiense, foi gerente de banco por 35 anos. Nas férias, saía com o amigo e irmãos para caçar na serra de Santos. Acampavam e chegavam a se reunir com índios. Nos últimos três anos, o marido enfrentou um câncer. Assim que morreu, Vera decidiu desfazer-se da espingarda. Os R$ 100 que recebeu serão doados para a Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). /B.P.M.

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