Werther Santana/AE
Werther Santana/AE

Até escola fecha no 2º dia de confronto no centro de SP

Manifestantes marcharam pelas ruas, exigindo fechamento do comércio, e enfrentaram a PM, que usou cassetetes e gás lacrimogêneo

Pedro da Rocha e Felipe Tau,

26 Outubro 2011 | 22h00

Ambulantes circularam por toda a madrugada de ontem pelas ruas próximas da Feirinha, na região central de São Paulo, bloqueando algumas vias. Apesar de gritos hostilizando aqueles que chegavam para trabalhar, não houve violência. Até que, por volta das 6 horas, recomeçaram os confrontos com policiais militares em três pontos diferentes. Os conflitos seguiram por toda a manhã e causaram até a suspensão de aulas em uma escola.

 

Às 6 horas, um dos líderes do movimento, Rogério Cardoso, chegou a afirmar que o movimento era pacífico, mas não tinha controle sobre todos os participantes. Pouco depois, algumas pessoas que protestavam colocaram fogo em lixo na Rua Oriente e acabaram reprimidos pelos policiais. Enquanto isso, PMs eram recebidos a garrafadas por um grupo que estava na esquina das Ruas Monsenhor Andrade e São Caetano. Mais adiante, algumas pessoas tentaram incendiar um ônibus utilizando um coquetel molotov, na frente da Igreja de Santo Antônio do Pari.

 

Com apoio da Tropa de Choque, os 400 policiais que atuavam na área ocuparam as principais vias da região. Quem chegava à Feirinha da Madrugada para fazer compras era revistado. O comandante do 13.º Batalhão da PM, Wanderley Barbosa Filho, justificou a ação policial. “Acabaram as negociações. Os manifestantes desrespeitaram o acordado com a PM e qualquer tentativa de bloqueio de vias será reprimida.”

 

Em resposta, às 7h30, manifestantes bloquearam pelo segundo dia consecutivo a Avenida do Estado, no cruzamento com a Rua São Caetano, em ambos os sentidos, e a PM usou balas de borracha e gás lacrimogêneo para dispersar a multidão. Pouco depois, os camelôs se juntaram novamente e seguram pela Rua Oriente, exigindo que os comerciantes fechassem as portas.

 

Quando os manifestantes tentavam voltar para a entrada da Feirinha da Madrugada, pela mesma Oriente, a Tropa de Choque bloqueou a via e avançou para o confronto. Era a hora de entrada dos alunos da Escola Técnica Estadual Carlos de Campos (Etec) e, segundo a diretora acadêmica, Eliane Leite, a fumaça de uma bomba de gás lacrimogêneo da PM atingiu a área do colégio, na Monsenhor de Andrade. Um dos alunos passou mal e houve muita correria. Aulas tiveram de ser suspensas e a expectativa é de que sejam retomadas hoje.

 

Tensão. Até o início da tarde, o clima tenso permanecia nas ruas do Brás. Na Monsenhor Andrade, dezenas de policiais faziam a segurança na entrada da Feirinha da Madrugada e no comércio e dois helicópteros da Polícia Militar sobrevoavam a região. Muitos comerciantes permaneceram com as portas fechadas e atendiam os clientes do lado de dentro.

“Já abrimos e fechamos umas cinco vezes hoje. Deveríamos estar funcionando desde as 7. Já são 13h e não posso subir a minha porta por causa da insegurança”, reclamou Salah Malt, de 23 anos, proprietário de uma loja de enxoval. 

* COLABOROU CIDA ALVES, ESPECIAL PARA O ESTADO

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