''Até devolveram. Mas ela chegou destruída, molhada e sem perfume''

Quem já teve a mala perdida conta o que é ter de passar dias com a roupa do corpo; maioria não recebe indenização

, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2010 | 00h00

Problemas com bagagens em voos não são apenas uma questão burocrática que envolve indenizações e processos. Extravios e furtos dão uma dor de cabeça muito maior. Há quem fique dias só com a roupa do corpo numa viagem - e executivos que quase perderam negócios porque os equipamentos sumiram entre uma parada e outra. Raramente as companhias aéreas indenizam os prejudicados.

O empresário paulistano Renato Araújo, que costuma viajar pelo menos três vezes por mês a trabalho, diz ter perdido a conta do quanto já sofreu com isso. "Em setembro, por exemplo, extraviaram equipamentos, como tripés, que eu usaria em um evento de um cliente em Salvador", comenta.

Araújo precisou alugar, de última hora, o material. "Mas tive medo de não encontrar o que precisava, irritar quem me contratou e perder o negócio", diz.

Após a chegada a Salvador, a TAM, companhia aérea responsável pelo voo que fez de Guarulhos até a Bahia, achou o equipamento e mandou para o hotel. "Mas muito depois de ter ocorrido o evento", lembra. Araújo não foi indenizado pelo erro.

"Agora, sempre que viajo com itens caros faço um seguro", afirma o empresário. Além de ter perdido o equipamento quando foi para Salvador, ele já teve malas extraviadas. "E quase sempre a bagagem chega amassada, aberta, com uma alça danificada."

Consequências. Em janeiro, duas malas extraviadas estragaram a viagem de férias da representante de vendas Camila Serventi e do namorado, o engenheiro Danilo Sato. Por causa do incidente, eles passaram 11 dias na Europa sem as roupas da mala e produtos de higiene. "Ainda tínhamos levado documentos de amigos que moram em Portugal", lembra Camila. "Não pudemos dar os papéis e eles também saíram prejudicados."

As malas chegaram no décimo primeiro dia da viagem, que durou 20 dias. "Três meses depois, a companhia aérea reembolsou parte dos gastos que tivemos com roupas durante o tempo sem malas", recorda Camila. Pagaram cerca de R$ 2 mil - R$ 800 a menos que o desembolsado.

O turismólogo Anderson Lima também teve a mala extraviada quando viajou para o México, no ano passado. "A companhia Mexicana Airlines até recuperou a bagagem", diz. "Mas ela chegou destruída, molhada e sem um perfume." Ele diz só ter conseguido o reembolso do item que sumiu porque conhece um executivo da empresa.

Seguro. "De olho nesses problemas, decidimos ter opções de seguros para a bagagem de nossos clientes", afirma Fabiana Telles, gerente de Produto do Itaú-Unibanco. Há cartões de crédito que dão direito a reembolso e também um seguro viagem. Esse tipo de programa costuma indenizar extravios, furtos e atrasos na entrega de malas."

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