Até credencial no câmbio negro

Na periferia do Rock in Rio, um mercado silencioso, de códigos secretos, se desenrola. De um lado, está a demanda, fãs que tentam desesperadamente, na última hora, achar um ingresso para ver seu ídolo. Do outro, com rádios, iPhones, ajudantes de ordens e um acordo até com prestadores de serviços, estão os cambistas, homens de negócios mais organizados das redondezas.

JOTABÊ MEDEIROS, ENVIADO ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2011 | 03h03

Ontem, das 15h às 19h, Luana, de São Paulo, tentou - sem sucesso - comprar sua entrada com cambistas para acompanhar o namorado, que estava trabalhando. Poderia pagar um ágio de até R$ 200 na compra, mas não foi levada a sério. "Minha filha, se você tiver um aí por esse preço, eu compro", dizia o rapaz de shorts e iPod branco no bolso. "Teve um cara aí que vendeu por R$ 400, mas duvido você achar."

Os garotos recostados na grade garantiam: "Olha, esse preço aí cai lá pelas 19 h, quando começam os shows principais. Os caras não querem morrer com o ingresso no bolso e vão abaixando. Tenho um amigo que comprou ontem por R$ 90", diz um deles.

Uma senhora trouxe as filhas gêmeas e mais dois garotos da família para tentar sua cartada de última hora. "Consegui comprar três ingressos por R$ 300 cada. Um deles era uma credencial", maravilhou-se.

Os prestadores de serviços, que recebem credenciais para trabalhar por R$ 20 ao dia estavam desertando antes de entrar e revendendo suas credenciais por R$ 500 - valia muito mais a pena. Muitos estavam sendo orientados pelos próprios contratantes a fazer isso, com alguma comissão na parada.

Na chegada dos ônibus ao Rock in Rio, Dyego Rodrigues, de 23 anos, e Claudia Samico, de 20, se postavam com cartazes. "Compro ingresso. Não é para revender", arriscavam. Mas a estratégia também se mostrou ineficaz - ficaram horas ali em pé, ante olhares curiosos dos passantes.

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