'Não entendi como saí viva', diz mulher atropelada no Templo de Salomão

Maria Dolores Pimentel, de 63 anos, teve uma fratura no dedo do pé; um homem e uma criança de 7 anos estão entre os feridos

Felipe Resk, O Estado de S. Paulo

17 de outubro de 2016 | 21h01

Uma comerciante ferida no atropelamento que matou duas mulheres no estacionamento do Templo de Salomão, no Brás, zona leste de São Paulo, relatou ao Estado o acidente. “Até agora, não entendi como saí viva. Era para eu ter sido prensada na parede”, diz Maria Dolores Pimentel, de 63 anos.

Ela sofreu uma fratura no dedo do pé e teve hematomas na perna. “Tive a sensação de o carro ter passado pelas minhas pernas”, afirma. Maria Dolores havia ido ao Templo de Salomão com uma amiga que não ficou ferida. "O carro veio muito forte, como se estivesse acelerado", diz. Segundo conta, houve gritaria.

Câmeras de segurança registraram o momento em que Dilza Maria Chianca, de 61 anos, perde o controle do carro, um Renault Sandero, e colide contra os fiéis na fila. Entre as vítimas, havia um homem e uma criança de 7 anos. Segundo informações da Polícia Civil, os feridos foram encaminhados aos Hospitais Vila Alpina, na zona leste, e  Ipiranga, na zona sul, e o estado de saúde é estável.

No vídeo, a motorista leva a mão à cabeça logo após o acidente. Depois, ela sai do carro e os fiéis conseguem afastar o automóvel. "É lamentável o que aconteceu, mas acidente pode ocorrer em qualquer lugar", diz a comerciante. "Não posso condenar a moça. Ninguém gostaria de passar pelo que aconteceu." 

A policial militar aposentada Iraci da Silva Fabri, de 48 anos, que trabalhava na revista dos fiéis, e a estudante Rosimeire Rodrigues Gunter, de 38, ficaram presas entre o automóvel e a parede do estacionamento. As duas foram socorridas ao Hospital das Clínicas, mas não resistiram aos ferimentos. O helicóptero Águia, da PM, chegou a ser foi usado no resgate das vítimas.

Fiança. Dilza passou por teste do bafômetro, que não indicou ingestão de bebida alcoolica. Na delegacia, ela afirmou que o câmbio do automóvel, semiautomático, estava com defeito, mas a Polícia Civil espera o resultado da perícia. Para os policiais, a motorista foi "imperita". "Ela está bem abatida e chora muito. Não acredita no que aconteceu", diz o advogado de defesa Sindbad Thadeu. "Provavelmente, foi um defeito do carro. Ela tentou puxar o freio de mão. Foi uma fatalidade."

Na audiência de custódia, realizada no Fórum Criminal da Barra Funda, na zona oeste, o juíz Paulo de Abreu Lorenzino converteu a prisão em flagrante em liberdade provisória, com pagamento de fiança. "Embora o fato seja concretamente grave e envolva o falecimento de duas pessoas (...) se verifica a inexistência do dolo, desautorizando, portanto, a prisão preventiva", afirmou na decisão.

A Justiça também determinou que Dilza deve comparecer em juízo a cada dois meses, deve se recolher no período noturno, entre 23h30 e 6 horas, além de suspender a carteira de habilitação dela.

Visitas. Na tarde desta segunda, 17, o Templo de Salomão ficou aberto para visitação. Boa parte dos fiéis não sabiam do fato do dia anterior. "Participei de uma reunião pela manhã e o pastor não falou nada. Será que é verdade?", questionou uma comerciante, convertida à Igreja Universal há 29 anos, que não quis se identificar.

Em nota, a Igreja Universal afirmou que o acidente aconteceu no segundo subsolo do templo e que "imediatamente prestou socorro e acionou apoio médico de emergência". "Nossas orações se elevam pelas vítimas desse lamentável incidente e seus familiares", diz a nota.

 

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