Até a década de 1950, as turmas eram só femininas

História do Ofélia ajuda a mostrar também outras mudanças: em 1920, por exemplo, Pacaembu [br]tinha um imenso matagal

Edison Veiga, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2011 | 00h00

Quando o Externato Ophelia Fonseca foi fundado, em 1921, as coisas eram muito diferentes. A começar pela grafia. Ophelia, em vez de Ofélia. Homens não saíam de casa sem gravata e chapéu, senhoritas de boa família precisavam aprender piano... Na época, as turmas escolares não eram mistas. "Só em 1957, passamos a ter alunos meninos", conta o diretor Antonio Sergio Ferreira Brandão. "Quando assumi, em 1979, as carteiras dos estudantes ainda eram duplas. Com espaço para o tinteiro entre elas."

 

Noventa anos letivos depois, 90 turmas mais tarde, o Ofélia foi testemunha da evolução do próprio bairro de Higienópolis - bairro do qual se tornou referência. Na década de 1920, o antigo vale do Pacaembu tinha um imenso matagal, animais pastando, muitas árvores frutíferas e aves. Pertinho da escola, havia uma bica que jorrava cristalina água e ajudava os alunos a se refrescar.

 

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Para determinar os limites físicos do terreno onde ficava o colégio, nada de muros altos ou o aparato de segurança necessário hoje em dia - apenas um alambrado bastava. Carros eram raríssimos. Só havia mesmo, quase sempre estacionado na frente da escola, o automóvel que a professora Ofélia dirigia, orgulhosa.

 

Era uma mulher à frente do seu tempo - e da pedagogia: a culta Ofélia era reconhecida por instituir, em sua escola, um ensino rígido e disciplinador. Mas, ao contrário da praxe da época, não admitia punições físicas nem qualquer tipo de castigo a "maus alunos".

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