Até 2013, eles cuidarão do patrimônio da cidade

Novos membros do Conpresp tomaram posse ontem; entre os casos que analisarão está o destombamento de imóveis na região da Luz, no centro

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

25 de novembro de 2010 | 00h00

Em meio a tombamentos polêmicos, lobbies do mercado imobiliário e pressões das associações de moradores, novos membros do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental (Conpresp) tomaram posse ontem com a missão de zelar pela memória paulistana.

O mandato dos novos conselheiros termina em 2013, último ano da gestão Gilberto Kassab (DEM). Eles foram indicados pelas instituições representativas que compõem o órgão, subordinado à Secretaria Municipal da Cultura. Entre os novatos estão o vereador Adilson Amadeu (PTB), indicado pela Câmara Municipal no lugar de Toninho Paiva (PR), e a secretária de Planejamento Urbano de São Bernardo e ex-diretora da Emurb, Nádia Somekh, indicada pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil no lugar do arquiteto Vasco de Mello. O presidente do conselho continua sendo José Eduardo de Assis Lefèvre, arquiteto e professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade de São Paulo.

A missão da nova gestão não será das mais fáceis. Em uma cidade com poucas áreas para crescer e entraves de legislação, os imóveis tombados viraram alvo do mercado imobiliário - e o Conpresp passou, de forma indireta, a influenciar os rumos da verticalização de São Paulo. Além disso, decisões polêmicas foram postergadas e terão de ser debatidas nos próximos anos, como o destombamento de imóveis para a revitalização da cracolândia. Outro problema pela frente é a falta de fiscalização. Sem contar com fiscais da Prefeitura para flagrar desrespeitos aos bens tombados, o Conpresp multou nos últimos anos apenas casos denunciados.

O Conpresp foi criado para deliberar sobre a proteção dos bens culturais do município. Atualmente, há cerca de 2 mil imóveis tombados ou que passam por processo de tombamento na capital. No início do ano, vereadores propuseram a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o conselho. "Sempre teve muita pressão do mercado, mas é uma pressão normal dentro de um órgão que aprova coisas importantes como tombamentos", diz o arquiteto Vasco de Mello, ex-conselheiro.

NOVO CONSELHO

José Eduardo de Assis Lefèvre

Professor da FAU-USP

Indicado pela Secretaria Municipal de Cultura

Walter Pires

Arquiteto e diretor do DPH

Indicado pelo Departamento de Patrimônio Histórico (DPH)

Adilson Amadeu

Vereador

Indicado pela Câmara Municipal

Luiz Ricardo Pereira Leite

Engenheiro e secretário municipal

Indicado pela Secretaria de Habitação

Cláudio Lembo

Advogado e secretário municipal

Indicado pela Secretaria de Negócios Jurídicos

Miguel Luiz Bucalem

Engenheiro e secretário municipal

Indicado pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano

Nádia Somekh

Secretária de Planejamento Urbano de São Bernardo, professora do Mackenzie-SP e ex-presidente da Emurb

Indicada pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil

Marcelo Manhães de Almeida

Advogado e presidente da Comissão de Direito Urbanístico da OAB-SP

Indicado pela Ordem dos Advogados do Brasil

Beatriz Ferraz Spisso

Arquiteta e urbanista

Indicada pelo Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea-SP)

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