Ataques seguem e PM escoltará ônibus

12º coletivo foi incendiado ontem; polícia vai usar carros descaracterizados para identificar quem está promovendo os atos criminosos

PEDRO DA ROCHA , WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2012 | 03h01

Mais dois ataques a ônibus foram registrados na Grande São Paulo. Por volta das 23h de ontem, um coletivo foi incendiado na Rua Abílio César, no Capão Redondo, zona sul. Anteontem, em Ferraz de Vasconcelos, um coletivo foi queimado, após ser assaltado por 20 adolescentes.

Já foram queimados 12 ônibus em uma semana. Após anunciar que usaria soldados à paisana nos ônibus para conter os incêndios, a Polícia Militar decidiu agora escoltar os coletivos, a distância, com veículos descaracterizados. O governo do Estado teme o desgaste provocado pelos ataques. O transporte ficou paralisado em parte da zona sul na noite de quarta-feira porque a empresa Via Sul decidiu recolher veículos de sete linhas.

Na madrugada de ontem, a base da 4.ª Companhia do 27.º BPM, no Grajaú, zona sul, foi atacada a tiros. Segundo testemunhas, dois homens em uma moto fizeram os disparos. Nenhum policial ficou ferido.

Subcomandante da PM, o coronel Hudson Camilli confirmou ontem que além das viaturas descaracterizadas, policiais à paisana vão acompanhar ônibus "em áreas onde há venda de drogas". Ele também admitiu pela primeira vez que há problemas. "Existe uma crise e estamos preparados para atuar no combate."

Segundo o subcomandante, foi instalado um gabinete de gerenciamento de crise por causa dos ônibus queimados e dos policiais mortos nas últimas semanas. Neste mês, nove PMs foram assassinados no Estado - são 40 desde janeiro.

Camilli substituiu o comandante-geral, Roberval França, na cerimônia de assinatura de projeto de lei que regulamenta a participação de policiais na Operação Delegada - parceria entre governo e prefeituras, iniciado na capital, para uso de policiais fora do horário normal. Roberval não compareceu porque passou por exames médicos.

Embora tenha reconhecido a crise, Camilli disse que os toques de recolher são apenas boatos e os ônibus incendiados são uma forma de reação de criminosos ao combate ao tráfico. Segundo a polícia, não há influência do Primeiro Comando da Capital (PCC) nos atentados aos coletivos. "Por isso, precisamos agora do apoio da sociedade."

A PM voltou a afirmar que recebeu ontem em São Paulo 50 telefonemas dizendo que havia toque de recolher. Nenhum teria ocorrido. "As pessoas que se sentem incomodadas com um boato podem, eventualmente, fechar um comércio ou reagir à situação que, de fato, não existe."

Já o secretário adjunto de Segurança Pública, Jair Manzano, negou que exista uma crise e disse que há apenas "distúrbios urbanos". "Às vezes, acontece alguma coisa que causa mais apreensão, mas a população pode ver a polícia na rua", disse. O secretário Antonio Ferreira Pinto não compareceu - ele anteontem estava na Argentina assistindo ao jogo de Corinthians e Boca Juniors pela Copa Libertadores.

O governador Geraldo Alckmin não concedeu entrevista ontem, mas disse, durante assinatura de um projeto de lei, que em 24 horas não foram registrados homicídios no Estado, o que seria um indicativo de que "o trabalho da polícia tem surtido efeito". Desde sexta, as Polícias Civil e Militar estão em alerta.

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