Ataques fazem SC enviar 20 detentos para prisão federal

Decisão foi tomada ontem, em reunião entre governador e ministro da Justiça em Florianópolis; onda de violência já dura duas semanas

JÚLIO CASTRO, ESPECIAL PARA O ESTADO, FLORIANÓPOLIS, O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2013 | 02h02

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD), definiram ontem, em encontro em Florianópolis, a transferência de aproximadamente 20 presos ligados à facção criminosa Primeiro Grupo Catarinense (PGC) para unidades prisionais federais de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) no Rio Grande do Norte, Paraná, Mato Grosso do Sul, Brasília e Rondônia.

A polícia catarinense responsabiliza o PGC pelos 97 atentados no Estado, ocorridos entre 30 de janeiro e ontem. Os ataques seriam retaliação à transferência de presidiários e a medidas mais duras em prisões de Santa Catarina.

O envio da Força Nacional de Segurança (FNS) não está descartado, segundo nota do governo do Estado publicada em seu site. Há cerca de duas semanas, o governador e o ministro vêm mantendo contatos por telefone para analisar a necessidade ou não do envio de tropas da FNS.

Também em nota, o governo informou que não vai divulgar a data, os nomes e nem o número exato de presos que serão mandados a presídios federais. "O sigilo é fundamental e estratégico para o sucesso desse tipo de operação porque envolve a atuação de dezenas de agentes penitenciários, policiais militares e civis", destacou Colombo.

Cardozo salientou que o Ministério da Justiça e o Estado trabalham juntos no combate à criminalidade. "Os governos federal e de Santa Catarina estão trabalhando em absoluta parceria", disse o ministro.

Ações criminosas. Ao menos um atentado foi registrado ontem. Os ataques entram na terceira semana com um saldo de 97 ocorrências em 30 municípios catarinenses. Trinta e sete ônibus já foram queimados.

Às 6h30 de ontem, dois homens armados invadiram ônibus de uma empresa de turismo que saía da garagem em Florianópolis. Mandaram o motorista descer e jogaram um coquetel molotov no veículo. O motorista, que teve a carteira e o celular roubados, conseguiu conter o fogo e apenas dois assentos e parte do teto foram queimados.

Na terça-feira, um policial de Içara encontrou uma garrafa com gasolina no pátio onde estavam veículos apreendidos pela Polícia Rodoviária Estadual. O artefato não explodiu.

Trinta e um adultos foram presos e 17 adolescentes, apreendidos, suspeitos de participar das ações. Um adolescente de 16 anos, com diversas passagens pela polícia, foi apreendido às 8h18 de ontem quando tentava atear fogo em um veículo em Palhoça. Parte do veículo foi danificada.

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