Ataques com explosivo deixam cidades sem banco no interior de SP

Moradores de Alambari viajam mais de 20 km para fazer operações bancárias; problema se repete em dezenas de pequenos municípios

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 16h13

SOROCABA - Os 4.886 moradores de Alambari, a 156 km de São Paulo, precisam viajar até Itapetininga, cidade distante 22 km, toda vez que precisam de serviços bancários. A única agência da cidade, um posto do Bradesco, foi explodida e danificada por uma quadrilha que ataca caixas eletrônicos no último dia 31 e até a tarde desta quarta-feira, 5, não tinha voltado a atender o público. Foi o segundo ataque à mesma agência em menos de um ano.

O problema se repete em dezenas de pequenas cidades do interior que, em razão do pouco efetivo policial, viraram alvos preferenciais dessas quadrilhas. Em Pilar do Sul, na terça-feira, 4, um bando explodiu os caixas automáticos de uma agência e fez disparos de fuzil contra a Polícia Militar. As outras duas agências locais já tinham sido atacadas. Em Porangaba, os moradores também ficaram sem atendimento depois que um bando armado explodiu, de uma só vez, as duas agências da cidade. A população local passou a ser atendida em Tatuí, a 28 km.

Uma agência do Santander não reabriu em Pilar do Sul depois de um ataque a seus caixas com dinamite. Também já foram explodidos na cidade o posto bancário do Bradesco e uma agência do Banco do Brasil. "Essa agência ficou quase seis meses fechada, o que foi um transtorno muito grande, pois a cidade é agrícola e o banco opera financiamentos rurais", disse o assessor de gabinete da prefeitura, Marcelo de Souza Barros.

Na mesma região, somente em outubro, ocorreram ataques ainda em Pereiras, Guareí, Cesário Lange e Jumirim, todas com menos de 15 mil habitantes. Em Jumirim, os bandidos explodiram os dois únicos caixas bancários da cidade um dia depois que tinham voltado a funcionar, após três meses fechados para reparos da explosão anterior. Em todo o Estado, em outubro, a reportagem contabilizou 18 ataques a caixas com explosivos, contra 10 ocorrências em setembro.

Prejuízos. A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) informou que acompanha com "extrema preocupação" os ataques a caixas eletrônicos em todo o País, pois afetam, além da população, as instituições financeiras que precisam reformar o local onde ocorreu a explosão e repor os equipamentos danificados. A entidade lembra que a ação de segurança permitida pela legislação é insuficiente para fazer frente ao uso de força desproporcional, como os explosivos e armamentos pesados, pelos criminosos.

"É necessário combater as causas desses crimes, quer seja impedido que os bandidos tenham acesso fácil a explosivos, como vem acontecendo nos últimos anos, quer seja desbaratando as quadrilhas, o que se faz com ações de inteligência", defendeu em nota. O comando da Polícia Militar informou que dados estatísticos da Secretaria da Segurança Pública (SSP) indicam queda de mais de 30% nos roubos a banco até setembro deste ano em relação ao ano passado.

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