Ataque contra carro-forte acaba em trapalhada

Bando sequestra segurança e sua família, põe falsa bomba nele, fecha Anhanguera e no fim tranca sem querer a porta do veículo

RICARDO BRANDT, ESPECIAL PARA O ESTADO, CAMPINAS, O Estado de S.Paulo

07 Julho 2012 | 03h02

Assaltantes sequestraram em Campinas um segurança e sua família, amarraram uma falsa bomba em sua perna, colocaram outra no seu carro e bloquearam uma alça de acesso à Rodovia Anhanguera com um caminhão incendiado para tentar roubar um carro-forte. A ação cinematográfica, porém, acabou frustrada por uma trapalhada da quadrilha, que deixou a porta do carro-forte fechar depois que os funcionários da empresa de segurança saíram do veículo e teve de fugir sem o dinheiro.

Por mais de 12 horas, o segurança da transportadora de valores ficou com um artefato, que acreditava ser uma bomba, amarrado em uma perna e com a família sob a mira de armas para que ajudasse a quadrilha a roubar o dinheiro.

A ação, que surpreendeu a polícia em Campinas pelo planejamento e ousadia, foi desencadeada na noite de quinta-feira, por volta das 23h, quando dois criminosos encapuzados renderam o vigia na Rodovia Santos Dumont e foram até sua casa, na periferia de Campinas, onde renderam também sua mulher e um filho de 5 anos.

A delegada Denise Margarido, que apura o caso, afirmou que os assaltantes obrigaram a vítima a dar detalhes sobre o trajeto e os horários do carro-forte. Depois de colocarem em sua perna um objeto que eles disseram ser uma bomba e poderia ser acionada por controle remoto, obrigaram o homem a manter sua rotina de trabalho e a guardar segredo sobre o crime para os três outros seguranças que estavam no veículo.

Outros criminosos levaram a mulher e o filho para um cativeiro e disseram que, se algo desse errado, eles morreriam.

Na alça de acesso que liga a Anhanguera ao anel viário Magalhães Teixeira, entre Campinas e Valinhos, os criminosos atravessaram na pista um caminhão-baú e atearam fogo. Atrás do carro-forte, outro caminhão foi parado para evitar que o motorista tentasse fugir de marcha a ré e também bloqueasse o tráfego de outros veículos, explicou o tenente Márcio Massarente, da Polícia Militar Rodoviária, primeira a chegar ao local.

Trapalhada. Segundo os depoimentos, seis homens armados com espingardas (ou fuzis) comunicaram a existência de uma bomba dentro do carro-forte e obrigaram os quatro seguranças e o motorista a descer.

Os seguranças disseram à polícia que a porta do carro-forte fechou, acionando a trava do equipamento.

Os criminosos tentaram ainda atirar contra a fechadura. Estilhaços de bala feriram dois seguranças. Sem conseguir roubar o dinheiro, os assaltantes fugiram deixando no local o homem com o artefato na perna, a família sequestrada e a outra suposta bomba no carro dele que estava parado no estacionamento da empresa de segurança, em Campinas.

Equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) tirou o suposto artefato de sua perna por volta das 12h30 e constatou que era apenas um tubo com areia. Depois, os policiais removeram o artefato do carro, que também era falso. A delegada do caso disse que o material, apesar de falso, foi feito por alguém com conhecimento de explosivos.

Para a Polícia Civil, a ação era planejada desde o mês passado, quando foram roubados os caminhões usados para barrar a pista.

As investigações vão agora tentar apurar se existe ligação entre o crime cometido ontem em Campinas e a tentativa de roubo a um carro-forte em São Paulo, que usou método parecido (veja ao lado).

Momento de pavor. O segurança A.R.N., de 36 anos, ficou das 9h30 até as 12h30 de ontem estirado na rodovia onde aconteceu a abordagem ao carro-forte com uma suposta bomba amarrada em uma das pernas. Enquanto isso, sua mulher e seu filho eram mantidos reféns e uma outra bomba em seu carro podia ferir colegas de trabalho.

Passando mal, ele teve de receber uma máscara de oxigênio, enquanto uma equipe do Gate tentava retirar o suposto artefato.

Sua mulher e seu filho foram libertados por volta das 10h30 em uma estrada de terra no bairro Íris, periferia de Campinas.

Ela afirmou que estava dormindo quando o marido entrou em casa com dois homens encapuzados, que o mantinham refém. Abalada, foi atendida no mesmo hospital onde o marido também foi levado para se recuperar do susto.

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