Reprodução Google Street View
Reprodução Google Street View

Ataque em baile funk na zona sul deixa 17 feridos

Homem vestido com jaqueta e capacete desceu viela a pé e atirou a esmo contra multidão no Sacomã; ele usou balim: munição que se espalha

Ana Paula Niederauer e Felipe Resk, O Estado de S.Paulo

28 Maio 2018 | 15h03
Atualizado 28 Maio 2018 | 21h32

SÃO PAULO - Dezessete pessoas ficaram feridas após um ataque a um baile funk, na noite de domingo, 27, na Rua Menino de Engenho, no Jardim São Savério, periferia do Sacomã, na zona sul de São Paulo. A principal hipótese da Polícia Civil é que o crime tenha sido cometido por algum morador, ainda não identificado, insatisfeito com o pancadão.

Segundo informações do boletim de ocorrência, um homem teria chegado ao local em uma motocicleta vermelha e sem placa. Eram por volta das 21h30. Armado, provavelmente com uma cartucheira, o suspeito teria efetuado de dois a três disparos contra frequentadores do baile funk, de acordo com as investigações.

O atirador teria descido por uma viela a pé, segundo relatos, antes de atirar na direção do pancadão. Ele usava uma jaqueta preta e capacete vermelho – e não foi reconhecido por nenhuma das testemunhas que prestaram depoimento à Polícia Civil.

“Não há nada que indique que o ataque foi direcionado a uma pessoa ou grupo específico”, afirma o delegado Dalmir de Magalhães, titular do 83.º Distrito Policial (Parque Bristol), responsável por investigar o caso. “Pelos relatos, ele atirou a esmo, de longe, e usou balim, munição que se espalha – por isso, o alto número de vítimas.”

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Os agentes não localizaram câmeras de segurança em comércios ou residências da região. Até o momento, também não foi coletada nenhuma imagem de celular que ajude na identificação do suspeito.

Para a Polícia Civil, a tese mais provável é a de que o ataque foi motivado pela insatisfação de algum morador com o baile funk. “O que pode ter ocorrido é que alguma pessoa descontrolada tentou resolver a questão atirando”, afirma Magalhães. “Mas só vamos poder confirmar a motivação quanto tivermos a autoria.”

Tumulto. Acionada para atender à ocorrência, a Polícia Militar encontrou uma pessoa caída. Ela apresentava ferimentos no tórax, provocados por arma de fogo. A vítima foi levada ao Hospital Artur Ribeiro de Saboya, na região do Jabaquara, também na zona sul, onde permaneceu internada.

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O suspeito fugiu do local logo após a ação. De acordo com testemunhas, outras pessoas foram atingidas e socorridas no Hospital Dr. Augusto Gomes de Matos, no Sacomã. Entre elas, uma criança de 9 anos que, depois, foi transferida para o Saboya. A Polícia Civil diz que todos os feridos estavam no pancadão – alguns contaram que estavam comendo um lanche quando foram surpreendidos pelos disparos. 

Segundo moradores, houve tumulto e corre-corre. “Só ouvi os tiros e vi o pessoal correndo, gritando por socorro”, conta uma comerciante da Rua Menino de Engenho, que estava com a loja aberta na hora do ataque.

Moradores afirmam, ainda, que o baile funk não tem data certa para ocorrer, mas é realizado com frequência há muitos anos. “Às vezes é no sábado, às vezes na terça. A gente sempre é pego de surpresa”, diz a comerciante. “É um baile de classe humilde. Aqui o pessoal não tem muito como se divertir, aí faz o pancadão. Mas, para quem é morador, é um transtorno: música alta, bebida, droga.”

Inicialmente, o caso foi registrado no 26.º Distrito Policial (Sacomã) como “disparo de arma de fogo” e “lesão corporal”. O inquérito, no entanto, foi instaurado mais tarde no 83.º DP e mudou a natureza criminal para “homicídio tentado”. Foram solicitados exames do Instituto de Criminalística (IC)e do Instituto Médico-Legal (IML). 

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