'Atacadão' toma a 25 de madrugada

Há muito os sacoleiros, vendedores e fiscais já estão dormindo na região da Rua 25 de Março. Passa da 1h e quem toma as ruas são os feirantes nos arredores do Mercado Municipal. Ali, na Rua da Cantareira, funciona um verdadeiro atacadão da pirataria. Centenas de pessoas podem se acumular para comprar os DVDs piratas mais baratos da cidade. Os de filme, no atacado, saem por R$ 0,90. Nas bancas, os camelôs vendem os mesmos produtos a três por R$ 10.

O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2012 | 03h04

Sobre caixotes de feira ou de papelão, os camelôs montam as bancas. Na completa escuridão que toma conta do ambiente, usam luzes fluorescentes para iluminar os produtos. "Chega mais, chega mais", chama o vendedor. Em cima da banca, os Mercenários 2, Resident Evil 5, Atividade Paranormal 4 e outros lançamentos. "Aqui. Se quiser pornô, tem aqui", diz o vendedor, mostrando dezenas de envelopes de papel estampados por mulheres nuas.

Um rapaz de 30 anos explica os motivos de acordar no meio da madrugada para comprar produtos que poderia fazer em casa. "E eu vou ficar com esse BO todo?" Além disso, afirma, não precisa correr atrás das matrizes dos lançamentos - às vezes, ainda nem lançados.

Durante o período de mais de uma hora em que a reportagem permaneceu no local, não viu nenhuma espécie de fiscalização. O Estado questionou a Polícia Militar na tarde de ontem por e-mail, mas a corporação não respondeu. A Secretaria Municipal da Segurança Urbana informou em nota que a Guarda Civil Metropolitana mapeia a região para encontrar líderes do esquema.

Durante o dia, a PM realiza a Operação Delegada na área. Para fugir dos policiais, os camelôs passaram a trabalhar com catálogos. O mesmo artifício pode ser encontrado na região da Santa Ifigênia. Os vendedores ambulantes costumam permanecer com pequenas quantidades de CDs e DVDs.

Do lado de dentro dos estabelecimentos, GCM e fiscais fazem operações diárias para apreender pirataria. Para caber tanta coisa, a Prefeitura teve de alugar um galpão maior.

1.000%. A perseguição faz muitos pensarem em largar o esquema. "Só continuo fazendo isso porque não encontrei nada melhor", diz um rapaz. Financeiramente, porém, camelôs dizem que ganham muito. Segundo ambulantes da região central, é possível vender aproximadamente R$ 100 por dia. O lucro é de mais de 1.000%. / ARTUR RODRIGUES.

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