Associação diz que regularização deve encarecer serviço

Estimativa é de que 90% das cerca de 600 empresas de valet de SP estejam irregulares; clientes duvidam que haverá grandes mudanças

O Estado de S.Paulo

04 Março 2012 | 03h06

O cliente de bar e restaurante que já se incomoda em pagar até R$ 20 para um funcionário de valet estacionar seu carro pode preparar o bolso. Para a Associação Brasileira de Bares, Restaurantes e Similares (Abrasel), a formalização do serviço de manobristas terá custo adicional, imediatamente repassado aos consumidores.

"A distribuição dos cupons nada mais é do que uma medida arrecadatória, que vai ajudar a colocar os valets na formalidade. A Prefeitura não tem nenhuma política pública para fomentar o transporte urbano coletivo durante a noite. E o valet acabou virando um mal necessário para os restaurantes", avalia o diretor-jurídico da Abrasel, Percival Maricato.

A estimativa do governo é de que 90% dos cerca de 600 serviços de valets em São Paulo estejam irregulares. Sem nenhuma fiscalização policial ou da Prefeitura, as empresas de manobristas se multiplicaram na capital. E os carros dos clientes continuam sendo estacionados nas ruas e até em locais proibidos.

O diretor da Abrasel lembra que os estabelecimentos comerciais já são penalizados pela precariedade do serviço dos valets. "É sempre o restaurante o acionado nos processos movidos por proprietários que reclamam de danos ou furtos em seus veículos", afirma.

Diretor da Associação de Empresas de Valets de São Paulo, o advogado Syrius Lotti Junior afirma que a nova regra não resolverá problemas relacionados ao mau serviço. "Quem garante que quem comprou o tíquete não vai parar o carro na rua?", questiona o advogado. De acordo com ele, cerca de 70% das empresas de valets atuam na total ilegalidade. "As irregularidades vão de deixar de ter apólice de seguro a contratar manobristas sem carteira de habilitação", explica. O advogado explica que a burocracia para obter alvará de funcionamento ainda faz com que muitas empresas idôneas atuem na informalidade.

Quem trabalha no ramo acredita que, na prática, pouco mudará. "A lei permite que eu pare no posto ou em qualquer edifício fora do restaurante. Pelo que vi, é uma lei para pegar imposto das empresas mesmo", afirma Joel Augusto de Oliveira, de 52 anos, gerente de um serviço de valet localizado ao lado da sede social do Jockey Club, no centro.

Motoristas também duvidam que haverá grandes mudanças. "Agora a Prefeitura quer criar regras?", pergunta a empresária Cláudia Franco, de 35 anos, cliente de bares e restaurantes na Praça Vilaboim, em Higienópolis, onde o serviço custa R$ 25, em média. "Durante todos esses anos, qualquer um que quis pintar uma placa de valet e colocou um guarda-sol na rua começou a funcionar sem alvará, sem fiscalização. Quero ver agora para tirá-los daqui."

Projeto. Tramita na Câmara Municipal de São Paulo um projeto de lei de autoria do vereador Marco Aurélio Cunha (PSD) que obriga empresas de valet a anotar a quilometragem dos veículos. Dessa maneira, os motoristas teriam como verificar se o carro ficou mesmo estacionado ou se foi utilizado irregularmente. Em novembro, um manobrista emprestou o carro de uma cliente a dois amigos, que bateram o veículo na contramão e mataram duas pessoas. /ARTUR RODRIGUES e DIEGO ZANCHETTA

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