Associação de pilotos pede áreas de escape em aeroportos

A associação internacional quer que os aeroportos tenham uma área de escape de, pelo menos, 300 metros

Agência Estado

18 de julho de 2007 | 12h48

Uma associação internacional de pilotos pediu às autoridades do setor de aviação em todo o mundo que providenciem áreas de escape mais extensas no fim das pistas de pouso, para tentar impedir que problemas na aterrissagem ou na decolagem terminem em tragédias como a desta terça-feira, 17, em São Paulo. Nos casos em que a extensão da pista seja inviável, a entidade defende a implementação de bolsões de concreto poroso para frear as aeronaves.  Veja também: Lista das 186 vítimas do acidente Opine: o que deve ser feito com Congonhas? Cronologia dos acidentes em Congonhas O local do acidente Os piores desastres aéreos do BrasilConheça o Airbus A320 Galeria de fotos Assista a vídeos feitos no local do acidente Conte o que você viu e o que você sabe   A declaração da Federação Internacional das Associações de Pilotos de Linhas Aéreas (Ifalpa, por suas iniciais em inglês) é uma resposta ao acidente ocorrido no aeroporto de Congonhas.O piloto do avião da TAM por pouco não caiu sobre uma movimentada avenida de São Paulo, em horário de grande movimento, antes de atingir um galpão de carga de própria companhia aérea e explodir. Pelo menos 190 mortes foram confirmadas até o momento. "O trágico acidente no aeroporto de Congonhas demonstra mais uma vez a necessidade de implementação de Áreas de Segurança no Fim da Pista (Resa, pelas iniciais em inglês)", diz a mensagem divulgada em Bruxelas pela Ifalpa.A associação representa 105.000 pilotos comerciais de todo o mundo e pressiona, há anos, para que todos os aeroportos em operação sejam dotados com uma área de escape de, pelo menos, 300 metros de extensão para tornar mais seguros os pousos e decolagens.Incidentes nos quais aviões vão parar fora da pista de pouso ocorrem à freqüência de um caso por semana, em todo o mundo. Trata-se da modalidade mais comum de acidente envolvendo aviões. Na maioria dos casos, esses incidentes terminam sem vítimas nem danos, mas nos últimos anos houve uma elevação acentuada no número de ocorrências graves desse gênero.Também na terça-feira, um Embraer 190 da Aero República derrapou em uma pista molhada ao pousar em Santa Maria, na Colômbia. Sete pessoas sofreram escoriações superficiais. O avião foi parar no Mar do Caribe.Em março, um Boeing 737 operado pela companhia aérea indonésia Garuda foi parar fora da pista do aeroporto de Yogyakarta e caiu em um arrozal. Vinte e uma pessoas morreram.Em 2005, um Airbus 340 da Air France passou pela mesma situação ao pousar na cidade canadense de Toronto. A aeronave foi parar num barranco a 200 metros da cabeceira da pista e incendiou-se. Nenhuma das 309 pessoas a bordo morreu."Trata-se de um problema mundial. Milhares de pistas usadas comercialmente não cumprem as recomendações da Organização Internacional de Aviação Civil", diz a declaração. A Ifalpa admite que aeroportos mais antigos situam-se, atualmente, em áreas sem espaço para a extensão das pistas ou para a construção de uma área de escape maior. Nesses casos, a entidade recomenda a construção de bolsões de concreto poroso capazes de reduzir drasticamente a velocidade dos aviões."Admitimos que há situações nas quais não é possível construir uma aérea de escape de 300 metros. Para esses casos, recomendamos o bolsão de concreto poroso como alternativa capaz de oferecer o mesmo nível de segurança", disse Gideon Ewers, porta-voz da Ifalpa.Esse sistema foi instalado em uma das pistas do Aeroporto Internacional John F. Kennedy, nos arredores de Nova York, e já impediu que aviões como Boeings 747 e MD-11 acabassem dentro da Baía de Thurston, afirma Ewers.

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