Associação Brasileira de Imprensa repudia declarações de desembargador

Ivan Sartori, que anulou júris do Carandiru, insinuou que parte da imprensa é financiada pelo crime organizado

O Estado de S. Paulo

05 de outubro de 2016 | 16h35

RIO - A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) repudiou em nota nesta quarta-feira, 5, os ataques feitos na terça, 4, no Facebook, à imprensa pelo desembargador Ivan Sartori, presidente da 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O magistrado insinuou que parte da imprensa e de organizações de defesa de direitos humanos são financiadas pelo crime organizado, o que a entidade, no texto assinado por seu presidente, Domingos Meirelles, considera um insulto.

Sartori fora criticado depois que a corte anulou, em 27 de setembro, quatro julgamentos que condenaram 74 policiais militares pelo massacre do Carandiru, ocorrido em 1992. O órgão  entendeu que não havia como determinar qual crime foi cometido por cada um dos acusados das mortes dos 111 presos, em 2 de outubro de 1992. Sartori chegou a pedir a absolvição dos acusados, o que não foi aceito pelos outros desembargadores.  

Eis a íntegra da nota:

A Associação Brasileira de Imprensa considera insultuosa a insinuação do Desembargador Ivan Sartori do Tribunal de Justiça de São Paulo ao afirmar que os veículos de comunicação teriam recebido dinheiro do crime organizado para produzir noticiário tendencioso sobre a anulação dos julgamentos dos acusados da chamada Chacina do Carandiru.

Ao registrar a decisão do Tribunal em procrastinar o desfecho do episódio que provocou a morte de 111 presos da antiga Casa de Detenção a imprensa limitou-se apenas em comunicar o fato à opinião pública sem se imiscuir nas particularidades dos autos do processo.

A ABI manifesta também, sua perplexidade diante da inexplicável lentidão em apreciar a responsabilidade dos envolvidos. Não se explica, nos dias de hoje, tamanha leniência em julgar os acusados. 

Não se admite também que a Justiça de São Paulo tenha levado 24 anos para apreciar e julgar as peças desse processo.

Em 1924, durante o levante da antiga Força Pública, foram ouvidas na capital paulista 2.217 pessoas de diferentes nacionalidades e instaurados 1.693 inquéritos no prazo de seis meses. O Ministério Público Militar acolheu o relatório policial e ofereceu a denuncia em pouco mais de quarenta dias.

A ABI espera que o Tribunal de Justiça não eternize o julgamento dos acusados diante do sofrimento das famílias das vítimas.

Cordialmente, 

Domingos Meirelles

Presidente da ABI

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